
PEC do fim da escala 6×1 avança na Câmara e expõe disputa política entre PL e Erika Hilton
Aprovação na Comissão Especial provoca embate entre Erika Hilton e Sóstenes Cavalcante sobre redução da jornada de trabalho
A aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 na Comissão Especial da Câmara dos Deputados transformou o debate sobre jornada de trabalho em um novo campo de batalha política em Brasília. O texto, que propõe reduzir a carga horária semanal e garantir dois dias de descanso ao trabalhador, provocou um duro confronto entre a deputada Erika Hilton e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante.
Enquanto Erika acusou o PL de tentar dificultar o avanço da proposta, parlamentares da oposição afirmaram que o partido acabou assumindo protagonismo ao defender um modelo ainda mais amplo de descanso para os trabalhadores, propondo a escala 4×3.
PL muda estratégia e entra no debate sobre jornada de trabalho
Nos bastidores da Câmara, a mudança de postura do PL chamou atenção. O partido, que inicialmente demonstrava resistência à PEC, passou a defender alterações no texto e apresentou propostas próprias durante a tramitação.
Sóstenes Cavalcante argumentou que o PL não queria apenas apoiar o fim da escala 6×1, mas ampliar o debate para um modelo considerado mais moderno, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
A estratégia acabou gerando críticas da esquerda, principalmente de Erika Hilton, que acusou o partido de tentar atrasar a votação com propostas consideradas inviáveis no atual cenário econômico.
Erika Hilton parte para confronto e acusa PL de oportunismo político
Após a aprovação do relatório na Comissão Especial, Erika Hilton fez um discurso duro contra o Partido Liberal e afirmou que setores da direita passaram meses criticando a proposta antes de mudarem de posicionamento.
A deputada declarou que o PL tentou defender uma transição longa demais para a nova jornada, o que, segundo ela, enfraqueceria os efeitos imediatos da mudança para os trabalhadores brasileiros.
Durante a fala, Erika também acusou a legenda de tentar “empantanar” o debate com propostas alternativas e afirmou que o apoio recente da oposição ao tema teria ocorrido por pressão popular e repercussão nas redes sociais.
A declaração aumentou ainda mais a tensão no plenário e aprofundou o clima de polarização em torno da PEC.
Sóstenes ganha apoio de aliados por defender proposta mais ampla
Aliados do PL reagiram às críticas afirmando que Sóstenes Cavalcante teve coragem de colocar o partido dentro de uma pauta historicamente ligada à esquerda e defender um modelo ainda mais ousado de descanso semanal.
Parlamentares próximos ao líder do PL argumentam que a proposta da escala 4×3 mostra que o partido decidiu participar ativamente da discussão sobre qualidade de vida do trabalhador, produtividade e equilíbrio familiar.
Nos corredores da Câmara, integrantes da oposição afirmam que o debate deixou de ser apenas ideológico e passou a refletir uma disputa por protagonismo político sobre uma das pautas mais populares do Congresso em 2026.
O que prevê a PEC do fim da escala 6×1
O relatório aprovado estabelece mudanças importantes nas relações trabalhistas no Brasil:
- redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas;
- garantia de dois dias de descanso semanal remunerado;
- manutenção dos salários sem cortes;
- jornada máxima diária mantida em oito horas;
- entrada em vigor parcial após 60 dias da promulgação;
- possibilidade de acordos coletivos específicos por categoria.
O texto também rejeitou propostas que tentavam adiar a implementação completa das mudanças por até dez anos.
Debate deve continuar no plenário da Câmara
Agora, a PEC segue para votação no plenário da Câmara dos Deputados, onde precisará de apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos para avançar ao Senado.
A expectativa é que a discussão continue intensa nos próximos dias, principalmente porque o tema ganhou enorme repercussão entre trabalhadores, sindicatos, empresários e movimentos políticos nas redes sociais.
Enquanto setores da esquerda tentam consolidar a narrativa de que lideraram a proposta desde o início, integrantes do PL buscam mostrar que a legenda também assumiu protagonismo ao defender mudanças mais profundas na jornada de trabalho brasileira.