PL reage a Erika Hilton e ganha protagonismo no debate sobre o fim da escala 6×1

PL reage a Erika Hilton e ganha protagonismo no debate sobre o fim da escala 6×1

Após aprovação da PEC na comissão, oposição defende jornada mais flexível e acusa esquerda de tentar monopolizar pauta trabalhista

A aprovação da PEC que propõe o fim da escala 6×1 na Comissão Especial da Câmara transformou o Congresso em um verdadeiro campo de disputa política. O que era apresentado inicialmente como uma bandeira exclusiva da esquerda acabou ganhando um novo capítulo após o PL mudar de posição e defender publicamente um modelo ainda mais ousado: a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.

A mudança de postura do Partido Liberal irritou setores da esquerda, especialmente a deputada Erika Hilton, que partiu para o ataque contra parlamentares da oposição durante a sessão desta quarta-feira (27).

Erika Hilton sobe o tom e acusa oposição de “manobra”

Durante o debate, Erika Hilton afirmou que o apoio do PL ao modelo 4×3 seria uma “manobra covarde” para atrasar ou inviabilizar a proposta principal da PEC. Em tom exaltado, a parlamentar acusou a oposição de tentar “empantanar” o andamento do texto e criticou diretamente o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante.

A reação da deputada chamou atenção nos corredores da Câmara porque ocorreu justamente após o PL anunciar apoio formal à redução da jornada de trabalho — algo que mudou completamente o cenário político da discussão.

Nos bastidores, parlamentares da oposição afirmam que a esquerda ficou desconfortável ao perceber que o debate deixou de ter apenas um lado ideológico e passou a reunir apoio também entre setores conservadores.

PL tenta ocupar espaço no debate trabalhista

A estratégia do PL foi considerada por aliados como uma forma de mostrar que a defesa do trabalhador não pertence exclusivamente à esquerda. O partido passou a defender uma proposta de modernização das relações de trabalho com foco em qualidade de vida, convivência familiar e produtividade.

Sóstenes Cavalcante argumentou que a jornada 4×3 seria mais moderna e alinhada a tendências internacionais de flexibilização do trabalho. O deputado ainda provocou governistas ao afirmar que agora queria ver “quem realmente apoia o trabalhador na prática”.

A movimentação deu novo fôlego ao debate e colocou pressão sobre partidos governistas, que passaram a dividir protagonismo em uma pauta que vinham explorando politicamente há meses.

O que prevê a PEC do fim da escala 6×1

O relatório aprovado na comissão especial foi elaborado pelo deputado Leo Prates e estabelece mudanças significativas na jornada de trabalho no Brasil.

Entre os principais pontos estão:

  • redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas;
  • garantia de dois dias de descanso remunerado por semana;
  • manutenção dos salários sem redução;
  • implantação inicial da jornada de 42 horas em até 60 dias;
  • redução definitiva para 40 horas após 12 meses;
  • preservação de acordos coletivos específicos.

O texto também rejeitou propostas que queriam adiar a implementação por até dez anos.

Debate expõe disputa política pela narrativa

A sessão mostrou que o debate sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas econômico e virou uma disputa direta por narrativa política.

Enquanto a esquerda tenta se apresentar como única defensora dos trabalhadores, parlamentares da oposição afirmam que o tema precisa ser tratado sem radicalismo ideológico e com equilíbrio para evitar impactos negativos sobre empresas e empregos.

A entrada do PL na discussão alterou o tom do debate dentro da Câmara e ampliou a pressão para que a proposta avance rapidamente no plenário.

Agora, a PEC precisará do apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação antes de seguir para análise no Senado.

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