
PF arquiva apuração sobre suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras; investigação não encontrou indícios mínimos de irregularidades
Procedimento foi encerrado antes da abertura formal de um inquérito policial, após pedido da Advocacia-Geral da União; caso surgiu depois de reportagem sobre recursos de US$ 1 milhão destinados a um projeto americano crítico à atuação do STF
A Polícia Federal (PF) arquivou, em 7 de outubro de 2026, a apuração preliminar sobre uma possível interferência do governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, nas eleições brasileiras. Segundo as informações divulgadas, a corporação não encontrou indícios mínimos de irregularidades que justificassem a instauração de um inquérito policial para investigar uma eventual ingerência estrangeira no processo eleitoral. <Cite refs={[“turn171154search0″,”turn171154search1″,”turn171154search2”]}/>
O caso havia ganhado repercussão nacional depois que a Advocacia-Geral da União (AGU), chefiada por Jorge Messias, solicitou a apuração de possíveis ações de influência externa. O pedido foi encaminhado à PF após a divulgação de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de recursos do governo americano a um projeto relacionado ao debate sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), liberdade de expressão e suposta censura no Brasil.
O arquivamento encerrou a análise preliminar sem que fosse aberta formalmente uma investigação policial. Portanto, é importante diferenciar o resultado: a PF informou que não encontrou elementos suficientes para avançar naquele procedimento, mas isso não equivale a uma decisão judicial sobre todas as questões políticas e diplomáticas relacionadas ao financiamento mencionado na reportagem.
Como surgiu a suspeita de interferência estrangeira
A iniciativa da AGU teve origem em informações sobre a liberação de US$ 1 milhão — aproximadamente R$ 5 milhões, conforme a cotação considerada nas reportagens — para um projeto americano denominado Countering Lawfare and Censorship in Brazil, expressão que pode ser traduzida como “Combate ao lawfare e à censura no Brasil”.
De acordo com as informações divulgadas, o projeto estava relacionado ao apoio a grupos da sociedade civil que contestam o que classificam como excessos do Poder Judiciário e restrições à liberdade de expressão no país. A notícia sobre a destinação dos recursos levantou questionamentos sobre quem receberia o dinheiro, quais atividades seriam financiadas e se haveria alguma atuação voltada a influenciar assuntos internos brasileiros durante o período eleitoral. <Cite refs={[“turn171154search2″,”turn171154search3”]}/>
A AGU considerou que, caso fossem comprovados o recebimento e o uso de recursos estrangeiros para promover ações ilícitas contra instituições brasileiras, seria necessário identificar os responsáveis e avaliar eventuais consequências jurídicas. A representação, contudo, expressava uma solicitação para apuração: não constituía prova de que os recursos tivessem sido usados para interferir na eleição ou de que algum beneficiário brasileiro tivesse cometido crime.
Foi nesse contexto que a Polícia Federal recebeu o material e o encaminhou à Diretoria de Inteligência Policial, responsável pela análise preliminar.
Andrei Rodrigues confirmou a análise no dia do primeiro turno
No domingo, 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições de 2026, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou publicamente que a corporação havia recebido a representação da AGU e iniciado uma análise.
Na ocasião, explicou que existia um procedimento prévio, mas que ainda não havia sido publicada a portaria necessária para instaurar formalmente um inquérito policial. A declaração indicava que a PF estava examinando se havia elementos concretos suficientes para justificar uma investigação criminal estruturada.
Três dias depois, em 7 de outubro, a corporação decidiu arquivar a apuração preliminar por falta de indícios mínimos que sustentassem a abertura do inquérito. A notícia foi divulgada pela imprensa e confirmada por diferentes veículos. <Cite refs={[“turn171154search0″,”turn171154search1″,”turn171154search3”]}/>