
Tragédia em Minas Gerais: queda de avião da Polícia Militar mata três policiais; tenente-coronel experiente e duas tenentes estão entre as vítimas
Aeronave Pégasus 17 caiu em Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço, durante voo de treinamento obrigatório; morte de Luis Fernando Silvestre, Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Almeida provoca luto na corporação e deixa famílias enlutadas
Uma tragédia abalou a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) na tarde de sexta-feira, 9 de outubro de 2026. A queda de uma aeronave da corporação nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, na região de Ipatinga, provocou a morte de três policiais militares que integravam o Comando de Aviação do Estado (ComAvE).
As vítimas foram identificadas como o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, comandante do Esquadrão de Aviões da unidade; a tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende; e a tenente Alice dos Santos Almeida. Os três estavam a bordo do avião e morreram no local. A confirmação foi feita pela Polícia Militar, que mobilizou equipes para atender à ocorrência.
A notícia representa uma perda dolorosa para a instituição, para os familiares e amigos dos militares e para todos aqueles que reconhecem a importância do trabalho realizado pelas equipes de aviação policial. Por trás dos uniformes e das funções exercidas estavam pessoas com histórias, sonhos, responsabilidades e familiares que agora enfrentam a dor de uma despedida inesperada.
Como aconteceu o acidente
A aeronave envolvida era um Beechcraft King Air 300, conhecido na corporação pelo indicativo Pégasus 17, de matrícula PP-EJO. O avião bimotor turbo-hélice havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16, com destino à região do Vale do Aço.
A queda ocorreu por volta das 16h10, em uma área próxima ao aeroporto de Ipatinga, no município de Santana do Paraíso, nas imediações do quilômetro 43 da BR-458. O local fica na região leste de Minas Gerais, a aproximadamente 20 quilômetros de Ipatinga.
Imagens que circularam nas redes sociais mostraram uma intensa coluna de fumaça preta sobre a área do acidente. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas para o atendimento.
Os três ocupantes foram encontrados sem vida. Não houve sobreviventes.
De acordo com informações divulgadas pela corporação, os policiais realizavam um voo de rechecagem anual de habilitação, procedimento periódico e obrigatório para verificar a capacidade técnica dos pilotos. A atividade fazia parte do plano de treinamento operacional da PMMG.
A corporação ainda não havia confirmado se a queda aconteceu durante a aproximação para o pouso ou em outra fase da operação. Por isso, não é possível atribuir a tragédia a uma falha humana, mecânica ou a qualquer outra causa antes da conclusão da investigação técnica.
Quem eram os três policiais mortos
Tenente-coronel Luis Fernando Silvestre
O tenente-coronel Luis Fernando Silvestre tinha 49 anos e acumulava mais de 24 anos de atuação na Polícia Militar de Minas Gerais, sendo aproximadamente 19 deles dedicados à aviação de segurança pública.
Ele comandava o Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado e era piloto, instrutor de voo e examinador credenciado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo informações divulgadas pela imprensa, possuía mais de 5 mil horas de voo e era considerado um dos profissionais mais experientes da aviação policial do país.
Sua trajetória estava ligada a atividades que exigem preparo técnico, disciplina e responsabilidade. A aviação policial desempenha funções que vão além do patrulhamento aéreo, incluindo apoio a operações de segurança, deslocamento de equipes, transporte de autoridades e missões aeromédicas.
Silvestre deixa esposa e três filhos. A morte de um profissional com tantos anos de experiência representa uma perda significativa para a equipe de aviação da PMMG e, sobretudo, para a família que agora precisa lidar com a ausência repentina.
Tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende
A tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende era mãe de duas crianças e havia retornado recentemente da licença-maternidade. Sua história profissional ganhou destaque por ela ter sido a primeira mulher da Polícia Militar mineira habilitada como piloto de aeronaves de asa fixa no Comando de Aviação do Estado.
Gabriela ingressou na corporação em 2017 e tornou-se oficial em 2019. Ao longo da carreira, atuou em unidades operacionais da PMMG antes de seguir para a aviação policial, uma área que exige formação especializada, avaliações técnicas e treinamento contínuo.
A conquista de se tornar piloto de avião na corporação representou um marco profissional. Sua trajetória também simbolizou a ampliação da presença feminina em funções tradicionalmente ocupadas por homens na aviação de segurança pública.
A dimensão da tragédia ficou ainda mais comovente porque, na quinta-feira, 8 de outubro, apenas um dia antes do acidente, o Comando de Aviação do Estado publicou uma homenagem à militar nas redes sociais, celebrando seu retorno às atividades após a licença-maternidade.
A mensagem destacava os diferentes papéis que ela exercia: mãe, piloto e policial militar. A publicação, feita em tom de boas-vindas, passou a ter um significado doloroso diante da morte da oficial no dia seguinte.
Gabriela deixa duas crianças e familiares que agora enfrentam uma perda irreparável. Sua história merece ser lembrada não apenas pelo pioneirismo profissional, mas também pela vida que construiu fora do trabalho e pelos vínculos afetivos interrompidos pela tragédia.
Tenente Alice dos Santos Almeida
A tenente Alice dos Santos Almeida tinha 34 anos, era natural de Governador Valadares, no leste mineiro, e foi criada em Caratinga. Antes de seguir a carreira na Polícia Militar, teve experiência profissional no Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, onde atuou durante vários anos.
A paixão pela aviação a levou a buscar uma oportunidade no Comando de Aviação do Estado. Depois de ingressar na carreira de oficial e ser aprovada no processo seletivo interno, passou a integrar a equipe de pilotos da corporação.
Alice também possuía experiência de voo, com mais de 300 horas registradas, conforme informações divulgadas sobre as vítimas. Sua trajetória demonstra o percurso de formação e qualificação necessário para assumir uma função especializada na aviação policial.
A morte da tenente representa outra perda profunda para a PMMG. Além da carreira que desenvolvia, Alice deixa familiares, amigos e colegas que compartilhavam com ela a rotina e os desafios da profissão.
Para que servia a aeronave Pégasus 17
O avião envolvido no acidente era utilizado pela Polícia Militar em diferentes atividades operacionais. Entre suas atribuições estavam o apoio a missões de segurança pública, o transporte de tropas especiais e autoridades e o transporte aeromédico de órgãos para transplantes.
A aeronave era um bimotor turbo-hélice Beechcraft King Air 300, fabricado em 1986. Segundo as informações divulgadas pela corporação, o avião havia passado por um processo de retrofit, procedimento de modernização que pode envolver atualização de equipamentos, sistemas e componentes para adequar a aeronave às necessidades operacionais.
A PMMG informou que a manutenção e as revisões estavam em dia e que as habilitações dos pilotos se encontravam regulares. A documentação do avião também estava regularizada, com validade informada até abril de 2027.
Essas informações são relevantes para a investigação, mas não permitem concluir antecipadamente o que provocou a queda. A regularidade documental e a realização de manutenção não substituem a análise técnica dos dados de voo, dos destroços e das condições da aeronave no momento do acidente.
Cenipa vai investigar as causas da queda
A investigação ficou sob responsabilidade da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com atuação inicial de investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), sediado no Rio de Janeiro.
O trabalho inclui a coleta de informações, a preservação de elementos relevantes, a análise dos danos e a verificação de circunstâncias que possam ajudar a explicar o acidente.
Esse procedimento é essencial para esclarecer a sequência dos acontecimentos e identificar fatores que eventualmente tenham contribuído para a queda. A investigação técnica de acidentes aeronáuticos não deve ser confundida com uma atribuição imediata de culpa: seu objetivo é reunir evidências e produzir conclusões fundamentadas.
A Polícia Militar afirmou que ainda era cedo para apontar a causa do acidente. Até que os investigadores apresentem resultados, qualquer explicação sobre falha mecânica, erro operacional ou outro fator deve ser tratada como hipótese, e não como fato comprovado.
Governo de Minas anuncia luto oficial
O governo de Minas Gerais divulgou uma nota de pesar pelas mortes dos três policiais e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da Polícia Militar. Também anunciou luto oficial de três dias, a partir de 9 de outubro.
A manifestação reconhece a gravidade da perda e a importância dos profissionais para a instituição. O luto oficial é uma forma pública de homenagem, mas não diminui a dor particular de quem perdeu um familiar, companheiro ou amigo.
A morte dos três militares também mobilizou manifestações de pesar nas redes sociais, especialmente diante da experiência profissional de Silvestre e da trajetória de Gabriela, que havia acabado de retornar da licença-maternidade, e de Alice, que construiu sua carreira na segurança pública e na aviação.
Outro acidente aéreo foi registrado no mesmo dia
A queda da aeronave da PMMG não foi o único acidente aéreo fatal registrado em Minas Gerais em 9 de outubro. Mais cedo, um avião monomotor caiu na região do bairro São Gabriel, em Belo Horizonte, nas proximidades de uma área de manutenção do metrô. O piloto morreu.
A ocorrência foi distinta daquela registrada em Santana do Paraíso, envolvendo outra aeronave e circunstâncias próprias. A coincidência de dois acidentes aéreos fatais no mesmo dia chamou a atenção, mas não significa que os episódios tenham relação entre si.
Uma tragédia que deixa famílias e colegas de luto
A morte de Luis Fernando Silvestre, Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Almeida interrompeu três trajetórias profissionais dedicadas à segurança pública. Os três integravam uma equipe especializada, responsável por missões que exigem treinamento, conhecimento técnico e atuação coordenada.
É impossível dimensionar plenamente a dor das famílias que receberam a notícia de maneira tão repentina. No caso de Silvestre, ficam a esposa e três filhos; no de Gabriela, duas crianças pequenas e familiares que acompanhavam sua vida pessoal e profissional; no de Alice, parentes, amigos e colegas que compartilhavam sua caminhada.
A homenagem aos policiais deve ser acompanhada de respeito à privacidade das famílias e de cautela na divulgação de informações ainda não confirmadas. A busca por respostas sobre a queda é necessária, mas não pode transformar o sofrimento dos envolvidos em especulação.
Que as famílias de Luis Fernando Silvestre, Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Almeida encontrem força e acolhimento neste momento de profunda tristeza. Aos colegas da Polícia Militar de Minas Gerais, ficam as condolências pela perda de três integrantes da corporação.
Três vidas foram perdidas, três histórias foram interrompidas e muitas pessoas agora terão de aprender a conviver com a ausência. Que os policiais sejam lembrados pelo serviço prestado, pela dedicação à profissão e pelas vidas que construíram fora dela.