PF investiga suposto lobby de Lulinha para empresa que firmou R$ 85,7 milhões em contratos com o governo federal

PF investiga suposto lobby de Lulinha para empresa que firmou R$ 85,7 milhões em contratos com o governo federal

Novo inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva e empresa de tecnologia contratada por órgãos públicos

Brasília – A Polícia Federal investiga suspeitas de que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria atuado para prospectar negócios junto à administração pública em favor da empresa 3Structure IT Ltda., que acumulou aproximadamente R$ 85,7 milhões em contratos com órgãos do governo federal.

A apuração ganhou um novo capítulo após o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizar a abertura de um segundo inquérito para investigar possíveis crimes de tráfico de influência relacionados à atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa, a investigação busca esclarecer a relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT, além de verificar se houve atuação para facilitar negócios da companhia junto a órgãos públicos, incluindo a Dataprev e outras instituições federais.

Empresa acumulou contratos milionários

Levantamento realizado a partir de dados do Portal da Transparência, do Comprasnet e do Diário Oficial da União aponta que a empresa assinou seis contratos com a administração federal.

O primeiro contrato foi firmado em novembro de 2022, ainda durante o governo anterior, com o Centro Integrado de Telemática do Exército (CITEx).

O acordo previa a ampliação da infraestrutura de armazenamento do sistema de telecomunicações do Exército.

Inicialmente avaliado em R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de aproximadamente R$ 3,6 milhões em julho de 2026.

Os demais contratos foram celebrados durante a atual gestão federal.

O maior deles foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, responsável por políticas sociais do governo.

O contrato ultrapassa R$ 42 milhões e prevê serviços voltados ao ambiente analítico de dados da pasta.

Outro acordo, também celebrado com o mesmo ministério, soma cerca de R$ 19,3 milhões para fornecimento de soluções de backup de dados.

Além desses contratos, a empresa também presta serviços para:

  • Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES);
  • Fundação Nacional de Saúde (Funasa);
  • Telebras.

No caso da Telebras, o contrato firmado em 2024 não teve o valor divulgado.

O foco da investigação

De acordo com as informações conhecidas até o momento, a investigação não questiona automaticamente a legalidade dos contratos públicos.

O foco dos investigadores é verificar se houve eventual utilização da influência política de Lulinha para abrir portas ou facilitar negociações entre a empresa e órgãos do governo.

Os investigadores procuram identificar:

  • contatos realizados com autoridades públicas;
  • eventual atuação para obtenção de contratos;
  • troca de mensagens e documentos;
  • movimentações financeiras relacionadas ao caso.

Caso sejam encontrados elementos suficientes, a investigação poderá avaliar eventual prática de crimes como tráfico de influência ou corrupção. Até o momento, não há condenação nem denúncia criminal decorrente desse novo inquérito.

Defesa de Lulinha

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirmou que recebeu a notícia sobre a abertura do novo inquérito com tranquilidade.

Segundo ele, a defesa ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e considera importante conhecer o conteúdo antes de apresentar manifestação detalhada.

Em declarações divulgadas à imprensa, a defesa sustenta que não há irregularidades na atuação do empresário e afirma confiar no esclarecimento dos fatos durante o andamento do processo.

Decisão do STF

A autorização para abertura da investigação foi concedida pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Segundo as informações divulgadas, os elementos apresentados pela Polícia Federal indicaram a existência de fatos que justificariam a continuidade das diligências para esclarecer a relação entre Lulinha e os responsáveis pela empresa investigada.

A decisão permite que a PF prossiga com a coleta de provas, oitivas e análise de documentos.

Empresa foi criada em 2019

A 3Structure IT Ltda. foi fundada em 2019 e possui sede em Florianópolis (SC).

A companhia atua na área de tecnologia da informação, oferecendo soluções relacionadas a infraestrutura de dados, armazenamento, backup, segurança digital e suporte para grandes ambientes computacionais.

Grande parte dos contratos públicos firmados pela empresa decorreu de processos licitatórios, conforme registros oficiais consultados pela imprensa.

Investigação segue em andamento

O novo inquérito soma-se a outra investigação já existente envolvendo Lulinha, que também apura suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades em relações comerciais com empresas privadas.

Até o momento:

  • a Polícia Federal realiza diligências;
  • não houve denúncia apresentada pelo Ministério Público;
  • não existe decisão judicial condenatória contra Lulinha nesse caso;
  • a defesa nega qualquer irregularidade.

A investigação permanece sob sigilo parcial e deverá avançar com a análise de documentos, depoimentos e demais elementos considerados relevantes para esclarecer se houve ou não influência indevida na obtenção de contratos públicos pela empresa investigada.

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