PL corta salário de Bolsonaro após início da pena e cancela suas atividades na sigla

PL corta salário de Bolsonaro após início da pena e cancela suas atividades na sigla

Com a perda dos direitos políticos, partido afirma que é obrigado por lei a suspender remuneração e vínculo do ex-presidente.

O Partido Liberal decidiu, nesta quinta-feira (27), suspender imediatamente o salário e todas as funções exercidas por Jair Bolsonaro dentro da legenda. A medida foi tomada logo após o ex-presidente começar a cumprir a pena de 27 anos de prisão, resultado da condenação por sua participação na tentativa de golpe após as eleições de 2022.

De acordo com o PL, a decisão segue a legislação vigente: quando um filiado perde seus direitos políticos — como ocorre automaticamente em caso de condenação criminal — o partido é obrigado a cancelar, sem demora, sua filiação e seus vínculos políticos. A determinação vale enquanto estiverem em vigor os efeitos da decisão da Ação Penal 2.668.

O salário de Bolsonaro, como presidente de honra da sigla, era de R$ 33.873,67, valor informado à Justiça Eleitoral nas prestações de contas. Meses atrás, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, havia pedido um parecer jurídico para tentar manter a remuneração do ex-presidente mesmo em prisão domiciliar. O advogado Marcelo Bessa chegou a considerar que seria possível manter o pagamento, desde que Bolsonaro exercesse atividades “remotas”. Agora, com a condenação definitiva e a perda dos direitos políticos, a recomendação perde efeito.

Prisão e rotina na PF

Desde o último sábado (22), Bolsonaro está numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele foi detido preventivamente depois de tentar burlar a tornozeleira eletrônica, levantando suspeitas de possível fuga. Na última terça-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes determinou o cumprimento imediato da pena, encerrando o processo.

Enquanto aliados condenados foram encaminhados para unidades das Forças Armadas ou presídios comuns, Bolsonaro permanece na PF, onde tem recebido visitas da família mediante autorização do Supremo. Michelle Bolsonaro, que também recebe salário do PL Mulher — no mesmo valor de seu marido — tem enviado refeições preparadas em casa. A entrega é feita por seu irmão, Eduardo Torres, presença constante ao lado do ex-presidente durante o período de prisão domiciliar.

A rotina agora é marcada por vigilância, protocolos rígidos e pela tentativa da família de manter algum controle sobre a alimentação e o bem-estar do ex-presidente, enquanto o partido ao qual ele deu protagonismo político nos últimos anos tenta se ajustar à nova realidade imposta pela condenação.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags