
Defesa de Bolsonaro pede que trio autorizado leve refeições diárias à PF
Equipe jurídica alega necessidade de “alimentação controlada” e questiona origem da comida servida na prisão.
A equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal para tentar garantir que pessoas de sua confiança possam levar diariamente refeições preparadas especialmente para ele. O pedido, feito na noite de quinta-feira (27), ocorre porque Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por seu papel na articulação golpista após as eleições de 2022.
Segundo a solicitação, três pessoas já pré-cadastradas ficariam responsáveis por entregar os alimentos no horário determinado pela PF. Todo o material seria inspecionado pela corporação antes de chegar ao ex-presidente. Entre os nomes indicados está o irmão de Michelle Bolsonaro, mostrando que o grupo mais íntimo da família assumiu a função de garantir as refeições.
Bolsonaro se recusou a consumir a comida fornecida pela PF e passou a ingerir apenas pratos preparados por familiares e antigos auxiliares. De acordo com Flávio Bolsonaro, a preocupação não seria com os policiais em si, mas com o caminho que a comida percorre até chegar à cela. “Não se sabe por onde passa até estar no prato dele”, disse o senador ao justificar a recusa.
As três pessoas apontadas para levar a alimentação são Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; Marcus Antonio Machado Ibiapina, que atuou como assessor presidencial; e o tenente Kelso Colnago dos Santos.
A preocupação com a alimentação vem à tona no mesmo dia em que Bolsonaro precisou receber atendimento médico dentro da prisão por causa de uma crise de soluços que se agravou. Flávio Bolsonaro afirmou que houve necessidade de aumentar a dosagem de medicamentos usados pelo pai para controlar os sintomas.
A condenação do ex-presidente foi confirmada pela Primeira Turma do STF, que declarou não haver mais possibilidade de recurso. Assim, Bolsonaro iniciou o cumprimento da pena em regime fechado, decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto isso, a família segue tentando garantir mais controle sobre rotina e cuidados dentro da PF, ao mesmo tempo em que aliados mantêm críticas ao tratamento dado ao ex-presidente.