
Entre vaias e sanções: Moraes responde torcedores com gesto obsceno em dia de punição dos EUA
Horas após sofrer restrições financeiras e ter entrada barrada nos Estados Unidos, ministro do STF aparece no estádio do Corinthians e insulta público que o vaiou
Na noite desta quarta-feira (30), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, protagonizou uma cena que indignou parte da torcida presente na Neo Química Arena. Horas depois de ser alvo de uma das mais duras sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, o magistrado foi ao clássico entre Corinthians e Palmeiras e, ao ouvir vaias, respondeu não com compostura, mas com um gesto obsceno: levantou o dedo médio para os torcedores.
O episódio ocorreu no momento em que Moraes, acompanhado da esposa, chegava ao estádio na Zona Leste de São Paulo. Enquanto parte do público gritava e vaiava, ele acenou e sorriu para alguns, mas não resistiu a devolver a provocação com um sinal ofensivo — atitude incompatível com o cargo que ocupa e com o decoro que se espera de um ministro da mais alta Corte do país.
Mais cedo, o governo de Donald Trump havia aplicado contra Moraes a Lei Magnitsky, que impõe restrições financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. Na prática, ele teve o acesso ao sistema financeiro dos EUA bloqueado, eventuais bens congelados e a entrada no país proibida. A medida atinge também outros sete ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que já haviam tido seus vistos suspensos na semana passada.
Foi a primeira vez que a lei — até então aplicada apenas a ditadores, integrantes de regimes autoritários, terroristas e criminosos internacionais — atingiu uma autoridade de um país considerado democrático.
Durante a transmissão do jogo pelo Amazon Prime, o narrador Galvão Bueno chegou a mencionar a presença de Moraes no estádio, afirmando que, ali, ele estava apenas como torcedor. Mas, diante do gesto obsceno, ficou difícil dissociar o momento esportivo da tensão política que envolve o ministro.
A postura de Moraes não passou despercebida nas redes sociais, onde muitos questionaram o exemplo dado por um magistrado que deveria simbolizar equilíbrio, autocontrole e respeito. Para críticos, o ato reforça a desconexão entre a responsabilidade institucional e a conduta pessoal de algumas autoridades brasileiras.