Polêmica à mesa: Janja vira alvo de críticas após servir carne de animal silvestre em almoço de Páscoa

Polêmica à mesa: Janja vira alvo de críticas após servir carne de animal silvestre em almoço de Páscoa

Uso de paca — espécie protegida por lei — levanta dúvidas, indignação e reacende debate sobre privilégio, legalidade e sensibilidade pública

O que deveria ser apenas um almoço de Páscoa acabou se transformando em mais um episódio de desgaste envolvendo a primeira-dama Rosângela da Silva. Um vídeo publicado por ela nas redes sociais, mostrando o preparo de carne de paca para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu uma enxurrada de críticas — não só pelo prato em si, mas pelo que ele representa.

A paca, um animal silvestre protegido pela legislação brasileira, não faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros. Pelo contrário: seu consumo é cercado por regras rígidas e fiscalização ambiental. Ainda assim, lá estava ela, sendo exibida como protagonista de um almoço presidencial, como se fosse apenas mais um item comum na mesa.

Diante da repercussão negativa, Janja correu para se justificar. Em comentário posterior, afirmou que a carne teria sido um presente de um criador legalizado, ressaltando que o consumo é permitido quando o animal vem de criadouros autorizados pelo IBAMA.

Mas a explicação, embora tecnicamente possível dentro da lei, não foi suficiente para acalmar os ânimos. Para muitos, o problema vai além da legalidade — toca diretamente na questão da coerência e da sensibilidade.

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para colocar comida básica na mesa, a exibição de um prato considerado exótico e de alto custo soa como um retrato desconectado da realidade. Em alguns mercados, o quilo da carne de paca pode ultrapassar valores que chegam a R$ 300, tornando o alimento inacessível para a maioria da população.

Além disso, o episódio reacendeu um ponto delicado: o consumo de animais silvestres, mesmo quando permitido, ainda carrega um peso simbólico importante. A legislação brasileira proíbe a caça e o comércio de animais retirados da natureza, permitindo exceções apenas em casos extremamente controlados. Ainda assim, a linha entre o legal e o questionável, no olhar da opinião pública, parece cada vez mais tênue.

O próprio Globo Rural chegou a mostrar recentemente como funciona a criação legalizada de pacas, destacando o longo processo de autorização e fiscalização. Nada disso, porém, diminuiu o impacto negativo da exposição feita pela primeira-dama.

No fim das contas, o episódio escancara algo maior: não se trata apenas de um prato diferente, mas da imagem que ele transmite. Em tempos de cobrança intensa e vigilância constante, atitudes assim deixam de ser triviais e passam a ser interpretadas como sinais de distanciamento — ou até desprezo — pela realidade da população.

E é justamente aí que mora o problema. Porque, mais do que servir um prato, quem ocupa posições de poder também serve exemplos. E, desta vez, o gosto que ficou para muita gente foi de indignação.

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