Política & Negócios

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CEO da Havaianas vira protagonista de polêmica após campanha e ligação com governo Lula

Executivo que já teve assento no “Conselhão” agora enfrenta reação popular depois de publicidade vista como ideológica

A confusão em torno da nova campanha da Havaianas não parou na atriz Fernanda Torres nem nas redes sociais inflamadas. Com o boicote ganhando força, o foco rapidamente se voltou para quem está no comando da marca: Liel Miranda, atual CEO da Alpargatas, cuja trajetória inclui uma passagem confortável pelos corredores do governo Lula.

A propaganda que acendeu o estopim foi simples no roteiro, mas explosiva no efeito. Ao dizer que não queria que o público começasse o ano “com o pé direito”, Fernanda Torres acabou despertando leituras políticas em um país onde até chinelo virou ideologia. O resultado foi previsível: revolta, acusações de militância disfarçada e pedidos de boicote.

Mas, para muitos críticos, o problema não ficou só no comercial. A desconfiança aumentou quando veio à tona o histórico do CEO da empresa. Liel Miranda já ocupou uma cadeira no chamado “Conselhão”, órgão consultivo do governo federal ligado diretamente à Presidência da República. Ou seja, enquanto a marca se diz neutra, o comando já circulou — oficialmente — dentro da estrutura do poder petista.

Liel assumiu a liderança da Alpargatas em 2024, mas sua relação com Brasília começou antes. Em 2023, foi nomeado para o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, grupo que reúne empresários, sindicalistas e aliados do governo para “pensar o futuro do país”. Um futuro que, curiosamente, agora respinga até em campanhas de sandálias.

Com quase três décadas no mundo corporativo, o executivo tem currículo internacional, formação sólida e discurso afinado com pautas como diversidade, equidade e sustentabilidade — temas legítimos, mas que, quando misturados com política partidária, costumam gerar rejeição em parte do público.

A saída de Liel do conselho ocorreu em 2024, oficialmente por questões burocráticas ligadas à troca de cargo. Ainda assim, para críticos, o estrago já estava feito: a percepção de proximidade entre grandes marcas e o governo virou combustível para a crise de imagem da Havaianas.

Enquanto isso, políticos e empresários conservadores entraram em cena, alguns prometendo trocar de marca, outros jogando chinelos no lixo em vídeos performáticos. O recado é claro: em ano pré-eleitoral, qualquer sinal — real ou interpretado — de alinhamento político cobra seu preço.

No fim das contas, o episódio deixa uma pergunta no ar: quando CEOs transitam entre conselhos do governo e o comando de marcas populares, ainda dá para fingir que publicidade é só publicidade? Para muita gente, a resposta veio com ironia, indignação e um par de Havaianas a menos no armário.

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