
Prefeito de São Paulo minimiza críticas ao ataque dos EUA à Venezuela
Ricardo Nunes afirma que direito internacional não justifica “passar pano” para situação vivida pelo povo venezuelano
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (5/1) que questionar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela com base no direito internacional é “demagogia”. Segundo ele, os argumentos jurídicos são secundários diante de uma situação humanitária grave, em que Maduro teria levado o país à miséria e à expulsão de milhões de cidadãos.
“Que direito internacional se pode invocar quando você tem uma eleição fraudada, 90% da população em pobreza extrema e um Estado que expulsa oito milhões de pessoas?”, disse Nunes durante entrevista a jornalistas na zona sul da capital paulista. “É muita demagogia falar de normas quando o problema real é a dignidade humana”, acrescentou.
O prefeito reforçou a necessidade de combater os focos de narcotráfico em países da região, mencionando que governos coniventes com a produção de cocaína têm responsabilidade de agir dentro de seu território. Suas declarações se alinham ao discurso do presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a intervenção afirmando que Maduro comandava uma organização criminosa, o suposto Cartel dos Sóis — grupo cuja existência é contestada por especialistas.
Questionado sobre as ameaças de Trump a outros países, como a Colômbia, Nunes afirmou que ações similares poderiam ocorrer se houver indícios de crimes relacionados ao narcotráfico, mas ponderou que não seria o ideal repetir a intervenção.
Apesar das críticas à ação americana, Nunes procurou contextualizar a situação como “específica” e reforçou solidariedade ao povo venezuelano, lembrando que o direito à dignidade humana deve estar acima de formalidades legais.