
Presidente do Supremo da Bolívia tem prisão decretada por suspeita de narcotráfico e pode perder o cargo
Romer Saucedo, de 38 anos, é investigado por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. Após anunciar que deixou o país com a família, teve sua localização questionada pelas autoridades, que estudam acionar a Interpol.
A crise no Judiciário boliviano chegou ao topo. Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, teve a prisão decretada pelo Ministério Público em 4 de novembro, sob suspeita de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O magistrado afirma ser vítima de perseguição política do governo de Rodrigo Paz, mas as acusações precisam ser esclarecidas perante a Justiça.
Saucedo anunciou que deixou a Bolívia acompanhado da esposa e dos três filhos, alegando ameaças de morte. Entretanto, o procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que não havia registro oficial de sua saída do país e anunciou que pretende solicitar um alerta vermelho à Interpol.
A Suprema Corte concedeu seis dias para que o magistrado retorne às funções. Caso não se apresente, poderá perder a presidência do tribunal. Enquanto isso, a juíza Rosmery Ruiz assumiu interinamente.
O caso também envolve o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em meio a investigações sobre possíveis relações entre integrantes do sistema judiciário e o narcotráfico. O governo americano acusa Mariaca de receber subornos para facilitar atividades criminosas e proteger traficantes. O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, relacionou a saída de Saucedo às investigações e afirmou que pessoas ligadas ao ex-procurador e à criminalidade estariam deixando o país.
O presidente Rodrigo Paz também relacionou o episódio às investigações sobre o sistema judicial boliviano.
Saucedo nega as acusações, afirma que não responde a processos criminais em andamento e sustenta que pretende retornar quando sua segurança estiver garantida. Também declarou que não renunciará ao cargo.
A situação é grave: um dos principais representantes da Justiça boliviana está sob mandado de prisão, fora do país segundo sua própria declaração e sujeito a um prazo para reassumir suas funções. Não se pode tratá-lo como culpado antes de uma condenação, mas tampouco ignorar a gravidade das suspeitas. A investigação precisa avançar, identificar eventuais envolvidos e esclarecer se houve infiltração do narcotráfico nas instituições responsáveis justamente por combater o crime.
Quando autoridades encarregadas de defender a Justiça passam a ser investigadas por suspeitas dessa natureza, a transparência e a responsabilização precisam ser prioridade. Cargo elevado não pode significar imunidade perante a lei.