
Prisão de Almir Garnier expõe mais um capítulo da perseguição judicial de Moraes
Ex-comandante da Marinha é levado à prisão após condenação controversa, em meio a um clima de arbitrariedades e decisões marcadas por excessos do STF.
O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, foi preso nesta terça-feira em uma unidade militar em Brasília, após decisão direta do ministro Alexandre de Moraes — o mesmo que tem conduzido, com mão pesada, todos os desdobramentos da chamada “trama golpista”. Condenado a 24 anos de prisão, Garnier foi levado para a Estação Rádio da Marinha, transformada agora em mais um palco dessa sequência de punições que muitos classificam como um verdadeiro cerco político.
A sentença inclui cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Acusações pesadíssimas, que a Procuradoria-Geral da República sustenta com base em delações e versões repletas de contradições.
Segundo a PGR, Garnier teria sido o único entre os três comandantes das Forças Armadas a apoiar um suposto plano golpista. A narrativa diz que ele teria colocado as tropas da Marinha à disposição do então presidente Jair Bolsonaro, ampliando o braço militar de uma alegada tentativa de ruptura institucional. Mas o que se vê, na prática, é uma interpretação esticada ao limite — mais uma peça encaixada à força no quebra-cabeça que Moraes montou para justificar suas decisões.
A delação premiada de Mauro Cid — já contestada por omissões, contradições e conveniências — foi determinante para a condenação. Ele relatou uma reunião em dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro teria apresentado uma minuta golpista e Garnier, supostamente, teria concordado. Uma narrativa que se apoia mais em percepções subjetivas do que em provas sólidas.
A defesa de Garnier
Os advogados do ex-comandante foram contundentes: negaram qualquer participação em golpe e apontaram inconsistências graves nos depoimentos. Enquanto o ex-comandante da Aeronáutica afirmou que Garnier teria oferecido tropas, o ex-comandante do Exército declarou que ele apenas se posicionou “com o Presidente”, como manda a hierarquia militar. Contradições assim, em um Estado de Direito, deveriam beneficiar o réu — mas não no tribunal de Moraes.
A defesa também questionou a delação de Mauro Cid, destacando omissões, versões recontadas e trechos que simplesmente não se sustentam. Não há, segundo eles, prova concreta que ligue Garnier aos atos de 8 de janeiro de 2023. Mesmo assim, veio a condenação — e agora, a prisão.