Professora que sugeriu “pedrada em criminosos” pede proteção ao governo Lula

Professora que sugeriu “pedrada em criminosos” pede proteção ao governo Lula

Após declarações polêmicas sobre operação no Rio, Jacqueline Muniz afirma sofrer ameaças e solicita inclusão em programa de segurança do Ministério dos Direitos Humanos.

A professora Jacqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), pediu proteção ao governo Lula após receber uma onda de ameaças nas redes sociais. O motivo: suas declarações controversas sobre a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, na qual sugeriu que policiais poderiam “neutralizar criminosos com fuzis usando pedras”.

O pedido de proteção foi encaminhado nesta segunda-feira (3) ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio do gabinete do vereador Leonel de Esquerda (PT), que coordena a Comissão de Favelas da Câmara Municipal do Rio. Muniz quer ingressar no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, criado em 2019 para resguardar pessoas ameaçadas em razão de sua atuação pública.

A cientista política e antropóloga afirmou que os ataques começaram após críticas de parlamentares de direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), que reagiram com indignação à sua fala.

Durante uma entrevista, Muniz provocou espanto ao dizer:

“O criminoso tá com o fuzil na mão, ele é facilmente rendido por uma pistola, até por uma pedra na cabeça. Enquanto ele tenta levantar o fuzil, alguém joga uma pedra e já derrubou o sujeito.”

A declaração, considerada inadequada e irrealista, gerou revolta entre policiais, especialistas em segurança e grande parte da população, especialmente após uma operação que resultou na morte de 121 pessoas — quatro delas, policiais.

Em sua análise, a professora ainda classificou a ação como um “fracasso tático”, dizendo que o Rio “usa a guerra contra o crime como palanque político” e que a operação serviria apenas para “fortalecer o bolsonarismo”.

Enquanto o governo avalia o pedido de proteção, o episódio reacende o debate sobre responsabilidade no discurso público — e expõe o abismo entre a realidade enfrentada por quem combate o crime e as falas desconectadas de quem o observa de dentro das universidades.

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