
Propaganda de Flávio Bolsonaro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida vai ao ar sem som; candidato questiona falha e cobra explicações
Exibido às 13h de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, o programa eleitoral de Flávio Bolsonaro ficou sem áudio durante os cinco minutos reservados à candidatura, segundo relatos publicados. Enquanto as imagens e legendas apareciam na tela, a propaganda de Lula foi transmitida normalmente na sequência. Flávio afirmou não acreditar em coincidência, e a origem do problema passou a ser questionada.
A propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi transmitida sem áudio na televisão nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. O episódio ocorreu durante o horário eleitoral gratuito das 13h e provocou reação do senador, que publicou um vídeo nas redes sociais para denunciar o problema e pedir que seus apoiadores compartilhassem o material pela internet.
A falha ganhou repercussão porque a peça eleitoral tinha como destaque uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, justamente no dia dedicado à padroeira. As imagens foram exibidas, acompanhadas de legendas, mas o áudio não pôde ser ouvido normalmente. Segundo relatos publicados, o problema persistiu ao longo dos cinco minutos destinados à propaganda de Flávio.
Na sequência, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno, foi transmitido com som normal. A diferença entre as duas exibições aumentou os questionamentos sobre o ocorrido e levou o candidato do PL a contestar a possibilidade de que tudo não passasse de uma coincidência.
“Não existe coincidência. Eles acham que vão calar minha voz? Não adianta, eles não vão conseguir”, declarou Flávio em manifestação divulgada nas redes sociais. O senador também pediu que o público compartilhasse sua propaganda com o maior número possível de pessoas, especialmente por meio de grupos de WhatsApp, para que a mensagem chegasse aos eleitores apesar do problema na televisão.
Uma homenagem à padroeira exibida sem áudio
A peça eleitoral começava com imagens de Nossa Senhora Aparecida e apresentava uma mensagem relacionada à fé e à importância da padroeira para o povo brasileiro. O programa também contava com a participação do escritor Augusto Cury, que, após ser derrotado no primeiro turno, passou a apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A mensagem tinha significado adicional porque a imagem de Nossa Senhora Aparecida havia se tornado tema de discussão política nos dias anteriores. Publicações nas redes sociais atribuíram a Flávio a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O candidato negou essa informação, mas a controvérsia provocou reações de adversários e ampliou o debate sobre o uso de símbolos religiosos durante a campanha.
Foi nesse contexto que a propaganda preparada para o feriado acabou sendo transmitida sem áudio. A falha impediu que os telespectadores acompanhassem integralmente a mensagem sonora da candidatura em um dos espaços oficiais de comunicação com o eleitorado.
A situação merece esclarecimento porque o horário eleitoral gratuito existe para garantir espaço de divulgação às candidaturas conforme as regras estabelecidas para a eleição. Quando uma propaganda é exibida sem som, o público não recebe o conteúdo nas mesmas condições previstas para a transmissão.
Flávio questiona coincidência e pede que apoiadores compartilhem o programa
Ao comentar o caso, Flávio comparou a transmissão de sua propaganda com a de Lula, destacando que a peça do adversário foi ao ar normalmente. O candidato afirmou não acreditar que o episódio fosse uma coincidência e sugeriu que sua voz estaria sendo impedida de chegar aos eleitores.
A declaração expressa a suspeita do senador, mas é importante separar o questionamento político da comprovação de uma ação intencional. Até a publicação das primeiras reportagens, não havia uma conclusão técnica pública que demonstrasse que o áudio foi retirado deliberadamente para prejudicar a campanha do PL.
Isso não elimina a necessidade de apurar a falha. Ao contrário: a diferença observada entre as transmissões justifica perguntas objetivas sobre a origem do problema, os procedimentos de conferência do material e a responsabilidade pela distribuição do sinal às emissoras.
Flávio pediu que os apoiadores divulgassem o vídeo pelas redes sociais e pelo WhatsApp. A estratégia busca compensar a falha da televisão e permitir que a mensagem original seja acessada por pessoas que não conseguiram ouvi-la durante o horário eleitoral.
EBC é questionada sobre a transmissão
O Correio Braziliense informou que procurou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela distribuição das propagandas políticas obrigatórias, e aguardava resposta no momento da publicação da reportagem.
Posteriormente, o SBT News publicou que, segundo sua apuração, a origem da falha teria sido a EBC e que o problema atingiu todos os sinais. A campanha de Flávio, por sua vez, afirmou que o material havia sido entregue em perfeitas condições e verificado antes da transmissão.
Essas informações tornam necessária uma explicação técnica detalhada. É preciso esclarecer se o arquivo chegou corretamente, se o áudio estava presente na versão distribuída, em qual etapa o problema foi identificado e quais registros permitem determinar a origem da falha.
Até que essas informações sejam apresentadas de maneira conclusiva, não é possível afirmar que houve sabotagem deliberada nem atribuir responsabilidade definitiva a uma pessoa ou instituição. A suspeita levantada pelo candidato deve ser investigada com base em evidências, e não apenas na coincidência temporal apontada por ele.
Por que o episódio exige transparência
A transmissão sem som não deve ser tratada como um detalhe sem importância. A propaganda eleitoral é um dos instrumentos pelos quais os candidatos apresentam suas mensagens ao eleitor, e uma falha que compromete a compreensão do conteúdo precisa ser explicada pelos responsáveis.
O repúdio à falha está relacionado ao prejuízo causado à comunicação eleitoral. O eleitor tem o direito de ouvir as mensagens das candidaturas, comparar suas propostas e formar sua própria opinião. Esse direito exige que as condições de transmissão sejam respeitadas e que problemas relevantes sejam apurados.
Se houve erro técnico, a população precisa saber onde ele ocorreu e quais medidas serão adotadas para impedir que volte a acontecer. Se a investigação encontrar evidências de interferência intencional, será necessário identificar os responsáveis e encaminhar o caso às autoridades competentes. São hipóteses distintas, que exigem provas e respostas proporcionais.
Também cabe esclarecer se a falha atingiu todas as emissoras, quanto tempo durou e se existem registros técnicos capazes de reconstruir o ocorrido. Essas informações ajudam a medir o impacto sobre a campanha e a determinar se há providências eleitorais a serem tomadas.
Um episódio que não pode terminar sem respostas
O programa de Flávio Bolsonaro foi ao ar sem áudio no Dia de Nossa Senhora Aparecida, enquanto a propaganda de Lula foi exibida normalmente na sequência, conforme os relatos publicados. O candidato do PL questionou a coincidência, denunciou o episódio nas redes sociais e pediu a divulgação de sua mensagem por outros meios.
O fato de a falha ter ocorrido em uma propaganda dedicada à padroeira brasileira acrescentou um componente simbólico à controvérsia. Entretanto, a relevância religiosa da peça e a desconfiança manifestada pelo candidato não substituem a investigação sobre a origem técnica do problema.
A cobrança por explicações deve ser firme e objetiva. Se o material foi entregue corretamente, como afirma a campanha, os registros da transmissão devem ajudar a esclarecer em qual etapa ocorreu a falha. Se houve um erro operacional, é necessário corrigi-lo e avaliar as medidas cabíveis. Se houver indícios de ação deliberada, eles precisam ser apresentados e investigados.
Em uma eleição presidencial, a igualdade de condições na comunicação eleitoral e a confiança nas instituições dependem de transparência. Nenhuma candidatura deve ser prejudicada por uma falha sem que o episódio seja devidamente esclarecido. O eleitor merece ter acesso às mensagens dos candidatos, e a sociedade merece saber o que aconteceu.