
Em Aparecida, Flávio Bolsonaro quase dobra votação de Lula; resultado relembra força eleitoral de Jair Bolsonaro na cidade da Padroeira
Senador do PL recebeu 58,30% dos votos válidos no primeiro turno, contra 32,12% do petista; município paulista já havia dado maioria expressiva a Jair Bolsonaro em 2022, enquanto polêmica eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida marcou a reta final da campanha.
O resultado das eleições presidenciais de 2026 em Aparecida, no interior de São Paulo, chamou a atenção pela diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na cidade que abriga o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, o senador recebeu 12.371 votos, equivalentes a 58,30% dos votos válidos, enquanto o presidente obteve 6.815 votos, ou 32,12%, no primeiro turno realizado em 4 de outubro.
Os números mostram que Flávio recebeu quase o dobro da votação de Lula no município. O resultado também dá continuidade a um padrão observado em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) superou o petista na cidade tanto no primeiro quanto no segundo turno.
A votação ganhou repercussão por ocorrer poucos dias antes do feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, e em meio a uma controvérsia eleitoral sobre a suposta intenção de Flávio Bolsonaro de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Essa alegação foi considerada falsa pela Justiça Eleitoral, que determinou a retirada de publicações que apresentavam como fato uma proposta inexistente do senador.
Os números da eleição em Aparecida
De acordo com os dados divulgados pelo Poder360 e pela Gazeta do Povo, o resultado do primeiro turno na cidade foi o seguinte:
- Flávio Bolsonaro (PL): 12.371 votos, correspondentes a 58,30% dos votos válidos.
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 6.815 votos, correspondentes a 32,12% dos votos válidos.
A diferença foi de 5.556 votos, com vantagem de 26,18 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro.
Aparecida tem relevância simbólica no cenário religioso brasileiro por abrigar o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, que recebe milhões de peregrinos e visitantes. Em 2025, o santuário registrou aproximadamente 10,48 milhões de visitantes, segundo os números citados pelo Brasil Paralelo.
O resultado eleitoral, entretanto, não permite concluir que a religião ou a controvérsia sobre a padroeira tenham determinado o voto dos eleitores. Os números demonstram a preferência expressa nas urnas, mas não identificam, individualmente, os motivos que levaram cada pessoa a escolher seu candidato.
Jair Bolsonaro já havia vencido Lula na cidade em 2022
O desempenho de Flávio também chama a atenção quando comparado ao resultado obtido pelo pai, Jair Bolsonaro, na eleição presidencial de 2022.
Naquele ano, o então presidente recebeu 55,51% dos votos válidos em Aparecida no primeiro turno. No segundo turno, ampliou sua votação para 62,89%, superando Lula no município.
A sequência de resultados mostra que a candidatura de Flávio manteve uma votação expressiva em uma cidade onde Jair Bolsonaro já havia obtido maioria nas duas etapas da eleição anterior.
Esse histórico é relevante para compreender o cenário eleitoral local, mas não significa que os eleitores de 2022 tenham votado necessariamente da mesma forma em 2026. A comparação permite identificar continuidade nos resultados, sem estabelecer automaticamente as razões políticas, religiosas ou econômicas dessa preferência.
Polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida marcou a campanha
Nas semanas anteriores ao primeiro turno, publicações nas redes sociais passaram a associar Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil.
A narrativa ganhou repercussão durante a campanha e provocou reações políticas e religiosas. Flávio negou defender qualquer mudança no reconhecimento da santa como padroeira nacional.
O Tribunal Superior Eleitoral analisou o caso e determinou a retirada de conteúdos que apresentavam como fato a associação do senador a uma proposta de alteração do título religioso. Conforme as informações publicadas sobre a decisão, o projeto mencionado nessa controvérsia havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli e acabou arquivado.
Portanto, não havia evidência de que Flávio Bolsonaro tivesse apresentado ou defendido uma proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.
A controvérsia também envolveu decisões judiciais sobre a permanência de publicações nas redes sociais. O caso passou pelos ministros André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux, em diferentes etapas da discussão.
O episódio demonstra como informações falsas ou descontextualizadas podem ganhar espaço durante uma disputa eleitoral, sobretudo quando envolvem símbolos religiosos de grande importância para a população.
Lula também levou Nossa Senhora Aparecida para o debate eleitoral
A controvérsia entrou no discurso de campanha de Lula. Em eventos políticos, o presidente fez referências à santa e afirmou que, enquanto estivesse na Presidência, ninguém desrespeitaria Nossa Senhora Aparecida.
A utilização da imagem religiosa pelos candidatos ampliou a presença do tema no debate público durante a reta final do primeiro turno.
De um lado, Flávio Bolsonaro negou a intenção de alterar o título da padroeira. De outro, Lula utilizou referências à santa em suas manifestações políticas. A discussão passou a envolver não apenas religião, mas também o uso de símbolos de fé na comunicação eleitoral.
É importante distinguir a manifestação religiosa legítima da exploração de uma informação falsa para influenciar a percepção dos eleitores. Da mesma forma, a votação de Aparecida não pode ser apresentada como prova de que os moradores aprovaram ou rejeitaram determinada narrativa sem