
PT pede prisão de Eduardo Bolsonaro por agir contra o Brasil com apoio dos EUA
Lindbergh Farias acusa o filho de Bolsonaro de tramar retaliações internacionais ao STF e de comprometer a soberania nacional em articulações nos Estados Unidos
A crise institucional entre Judiciário e bolsonarismo ganhou novos contornos nesta sexta-feira (11). O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, protocolou um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitando a prisão preventiva de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado do cargo e vivendo nos Estados Unidos.
No documento, Lindbergh acusa Eduardo de arquitetar, a partir do exterior, uma ofensiva contra o Brasil em parceria com parlamentares norte-americanos, com o objetivo de aplicar sanções econômicas e diplomáticas a autoridades brasileiras. O plano, segundo o deputado petista, configura uma “guerra híbrida” e representa uma interferência internacional grave nos assuntos internos do país.
O pedido de prisão se baseia em investigações que incluem suspeitas de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, coação de testemunhas e obstrução da Justiça. Lindbergh sustenta que Eduardo ultrapassou todos os limites da liberdade de expressão ao agir como um “agente estrangeiro”, em vez de um representante do povo brasileiro.
O parlamentar também responsabilizou Eduardo pela imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Donald Trump dias antes. Para Lindbergh, essa medida foi incentivada diretamente pelo deputado como forma de punir o Brasil pela atuação do STF contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ele deixou de defender os interesses do país para servir a interesses externos. Isso não é política — é traição”, escreveu Lindbergh.
A base legal do pedido menciona o artigo 359-I do Código Penal, que trata de atos que tentam submeter o território nacional à soberania de outro país. Além da prisão, o petista também solicitou o bloqueio dos bens de Eduardo e a proibição de movimentações financeiras internacionais em seu nome.
A Polícia Federal confirmou que Eduardo está sendo investigado por tentar convencer autoridades norte-americanas a adotar uma postura hostil contra o Brasil. O inquérito, autorizado por Moraes, foi prorrogado por mais 60 dias e também envolve Jair Bolsonaro, que admitiu ter enviado R$ 2 milhões ao filho por Pix — valor levantado em uma campanha de doações em 2023.
Mesmo alegando perseguição política, Eduardo permanece nos EUA com sua licença parlamentar válida até o fim de julho. Mas, no Brasil, o cerco ao seu redor parece cada vez mais apertado.