
Advogado denuncia fraude bilionária no INSS: esquema teria começado em 2005
Eli Cohen afirma que desvios envolvem associações, empréstimos consignados e lobistas próximos a bancos
O advogado Eli Cohen, conhecido por suas denúncias contra fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), afirmou nesta terça-feira (2) que os desvios de recursos públicos vêm ocorrendo desde 2005. Segundo ele, o esquema contava com a participação de “outros Carecas”, referência a Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela Polícia Federal (PF) como lobista que intermediava associações suspeitas de desviar dinheiro de aposentados e do próprio INSS.
Em audiência na CPMI do Senado, Cohen explicou que suas denúncias se baseiam em anos de investigação e que ele já havia levado o caso ao Ministério Público de São Paulo em 2023, mas sem avanços.
Em abril deste ano, a PF e a CGU (Controladoria-Geral da União) realizaram uma operação que identificou desvios de pelo menos R$ 6,3 bilhões, ocorridos entre 2019 e 2024, principalmente por descontos não autorizados nas contas de aposentados e pensionistas.
Segundo Cohen, os desvios não se limitavam a associações que ofereciam benefícios, mas também envolviam empréstimos consignados cobrados sem autorização, com recursos sendo desviados diretamente das contas dos beneficiários.
O advogado citou ainda um concorrente do Careca do INSS, o lobista Márcio Alaor, afirmando que ele começou a operar o esquema a partir da medida provisória 130 de 2003, sancionada pelo presidente Lula, que ampliou o acesso de aposentados a empréstimos consignados, favorecendo bancos como o BMG. Cohen disse que reclamações sobre fraudes nos consignados começaram a surgir já em 2005. Outros bancos citados por ele incluem Master e PicPay, embora os contatos com essas instituições não tenham sido obtidos.
Cohen detalhou que parte das evidências foi reunida através de ações judiciais em tribunais de todo o país, indicando milhares de reclamações de empréstimos consignados não solicitados pelos beneficiários.
Antes da audiência, parlamentares da CPMI criticaram o parecer da Advocacia do Senado, que manteve sob sigilo visitas de gabinetes parlamentares pelo Careca do INSS. Os membros da comissão prometeram votar, na próxima quinta-feira (4), um requerimento para ter acesso às informações e tentar reverter a decisão técnica do Senado.