
Punida por pensar: jovem é condenada a 10 anos de prisão por criticar Maduro no Facebook
Merlys Oropeza virou símbolo da repressão na Venezuela após ser denunciada por uma militante chavista. A frase que publicou nas redes virou sentença: uma década atrás das grades.
Na Venezuela de Nicolás Maduro, criticar o governo pode custar caro — e Merlys Oropeza, de 25 anos, sabe disso como poucos. Após escrever uma simples crítica em sua página no Facebook, a jovem foi condenada a dez anos de prisão. Sua frase? “Que ruim que uma pessoa dependa de uma bolsa”. A frase fazia alusão a um programa do governo que distribui alimentos a preços subsidiados.
A publicação atingiu em cheio uma líder comunitária ligada ao chavismo, responsável por coordenar a entrega desses produtos no bairro. Foi ela quem denunciou Merlys às autoridades.
A jovem foi detida em agosto de 2024, apenas onze dias após as eleições presidenciais marcadas por denúncias de fraude. O regime, que já vinha perseguindo opositores, apertou ainda mais o cerco após a controversa reeleição de Maduro em julho daquele ano. Desde então, protestos tomaram as ruas, deixando ao menos 28 mortos, quase 200 feridos e milhares de detidos.
Merlys foi enquadrada na chamada “Lei Contra o Ódio”, aprovada em 2017 e duramente criticada por organizações de direitos humanos por ser usada como arma contra a liberdade de expressão. Segundo a AFP, a sentença foi decretada em 23 de junho, mas não foi divulgada oficialmente pela Justiça venezuelana. A informação chegou ao público por meio de uma fonte ligada ao caso.
Em uma carta escrita à mão logo após a prisão, Merlys desabafou: “Estou quebrada, mamãe. Estou vazia, papai. Não tenho mais forças para continuar vivendo”. O texto circulou pelas redes sociais e comoveu milhares de internautas.
A jovem agora se junta à lista de vítimas de um sistema que vem silenciando qualquer voz dissonante — onde uma crítica em tom pessoal pode ser tratada como crime de Estado.