
Quando a Cela se Abre: Moraes solta Bacellar, mas impõe noites longas de restrições
Após pressão da Alerj, prisão do deputado é substituída por medidas que o afastam do cargo e limitam sua rotina
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu transformar a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar em um conjunto de medidas cautelares. A decisão veio nesta terça-feira (9), poucos dias depois de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) votar pela suspensão da prisão do parlamentar.
Bacellar, que também presidia a Alerj, havia sido detido na última quarta-feira (3) durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Ele é acusado de repassar informações sigilosas da Operação Zargun — investigação que, meses atrás, levou à prisão do deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, apontado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociações com o Comando Vermelho. Após a prisão, TH Joias perdeu o mandato.
Moraes justificou a mudança de prisão para cautelares afirmando que, como a Alerj decidiu derrubar a detenção, era necessário adotar medidas que ainda garantissem a investigação e a ordem pública. “Com a revogação da prisão pela Assembleia, torna-se indispensável substituir a medida por restrições que assegurem a aplicação da lei penal”, escreveu o ministro.
Restrito, afastado e vigiado
A decisão de Moraes não livra Bacellar de um cenário rigoroso. Ele foi afastado imediatamente da presidência da Alerj e terá que cumprir:
- Recolhimento noturno, das 19h às 6h, de segunda a sexta
- Recolhimento integral nos fins de semana, sem poder sair da comarca do Rio
- Proibição de contato com outros investigados
- Entrega de todos os passaportes
- Suspensão do porte de arma
O ministro ainda alertou que qualquer deslize terá consequências imediatas: a volta para a prisão e uma multa diária de R$ 50 mil.