Quando a crítica vira crime: Moraes chama dirigente sindical para depor

Quando a crítica vira crime: Moraes chama dirigente sindical para depor

Presidente da Unafisco é intimado após questionar operação da PF — mais um recado duro do STF contra quem ousa falar

Em mais um episódio que levanta sobrancelhas e acende alertas sobre excessos de poder, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o presidente da Unafisco, Kleber Cabral, seja notificado para prestar esclarecimentos em uma investigação que corre sob sigilo.

A ordem veio logo após Cabral conceder entrevistas criticando uma operação da Polícia Federal que mirou servidores da Receita acusados de acessar, de forma irregular, dados de ministros do STF e de seus familiares. Coincidência ou não, a crítica pública foi seguida, quase imediatamente, pela intimação.

Como tudo ocorre longe dos holofotes, protegido pelo sigilo, não está claro se o depoimento exigido tem relação direta com os supostos acessos ilegais ou se é uma resposta às declarações incômodas feitas pelo dirigente sindical. O silêncio institucional, nesse caso, fala tão alto quanto a caneta do ministro.

Por decisão de Moraes, os servidores investigados passaram a cumprir uma série de medidas duras: uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas, cancelamento de passaportes e até proibição de deixar o país. Um pacote pesado, que reforça a sensação de punição antecipada antes mesmo de qualquer julgamento definitivo.

Em nota divulgada após a operação, a Receita Federal informou que as ações da Polícia Federal se basearam em dados fornecidos pelo próprio órgão. Ainda assim, o cerco se ampliou — e agora alcança quem ousou questionar os métodos da operação.

O episódio deixa uma pergunta no ar, difícil de ignorar: desde quando criticar uma ação estatal passou a ser tratado como algo que justifica intimação judicial? Quando um dirigente sindical é chamado a depor logo após falar com a imprensa, o recado parece claro — e nada democrático.

Mais do que investigar possíveis irregularidades, o que se vê é um ambiente de intimidação, em que discordar do roteiro oficial pode custar caro. E, mais uma vez, o poder concentrado nas mãos de Alexandre de Moraes segue avançando, sem freios visíveis, sobre o direito à crítica e à liberdade de expressão.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags