Quando a propaganda vale mais que o povo: governo Lula transforma verba pública em palco político

Quando a propaganda vale mais que o povo: governo Lula transforma verba pública em palco político

Em ano pré-eleitoral, Secom direciona mais dinheiro para promover o governo do que para campanhas de utilidade pública — e a conta, claro, cai no colo do contribuinte.

O orçamento da comunicação oficial virou, mais uma vez, o playground favorito do poder. Às vésperas do ano eleitoral, o governo Lula decidiu abrir generosamente a torneira da publicidade institucional — aquela que serve, na prática, para polir a própria imagem e espalhar slogans coloridos — enquanto reduz a fatia destinada às campanhas que realmente importam à vida das pessoas.

O resultado? Em 2025, 57% de toda a verba de publicidade federal será usada para promover o governo, suas marcas e seus bordões. Já as campanhas de utilidade pública — aquelas que avisam sobre vacinação, saúde, enchentes, segurança, FGTS e direitos básicos — ficam com apenas 43%. Uma inversão de prioridades que diz muito mais do que os vídeos que a Secom distribui por aí.

Ao todo, o caixa reservado para publicidade chega a R$ 1,54 bilhão. São R$ 876,8 milhões só para peças institucionais da Presidência, contra R$ 661,6 milhões para ações de utilidade pública.

Em outras palavras: mais dinheiro para propaganda, menos para informação essencial.

E isso não acontece à toa.

A máquina da propaganda a pleno vapor — e paga pelo povo

Desde a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secom, a engrenagem da comunicação do governo virou uma fábrica industrial de conteúdo:

  • R$ 100 milhões por ano em um contrato novo para redes sociais;
  • 3.000 vídeos anuais produzidos;
  • 576 vídeos com apresentadores, ao custo aproximado de R$ 12,3 milhões;
  • podcasts, videocasts, influenciadores contratados e campanhas “criativas” para promover Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia e outros programas.

É uma avalanche de mídia personalizada, cuidadosamente desenhada para transformar políticas públicas em peças de marketing. No papel, é “prestação de contas”. Na prática, é gasolina na máquina eleitoral — bancada direta e indiretamente pelo dinheiro do contribuinte.

Enquanto isso, ministérios como o da Fazenda pedem mais R$ 120 milhões para reforçar suas estratégias de divulgação. A Esplanada inteira parece ter descoberto que comunicação rende mais dividendos que políticas públicas.

A narrativa oficial

A Secom diz que não há uso político. Afirma que é tudo para “garantir informação” e “transparência”. Mas o discurso perde força quando se olha o conjunto da obra: contratos milionários, influenciadores, vídeos com apresentador, memes oficiais, conteúdos com celebridades e até recriações de quadros televisivos para exaltar a comparação entre governos.

Difícil chamar isso de neutralidade.

Ainda mais difícil ignorar que tudo isso acontece no ano que precede as eleições — justamente quando propaganda bem produzida vale ouro.

O contraste que revolta

Campanhas de utilidade pública — aquelas que podem salvar vidas, orientar famílias e informar trabalhadores — estão perdendo espaço. Aquelas que promovem o governo, por outro lado, continuam crescendo sem pudor.

E quando o dinheiro público serve mais para reforçar a vaidade do poder do que para informar a população, a democracia inteira sai arranhada. Porque comunicação pública deveria servir ao cidadão, não à ambição de quem ocupa o Palácio.

Numa época em que falta verba para saúde, educação e segurança, sobra para slogans.
E a conta, como sempre, chega para quem nunca pediu nada disso: o brasileiro comum, usado como plateia obrigatória de um espetáculo que ele mesmo paga — mas não escolheu assistir.

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