
Derrite assume o protagonismo no PL Antifacção e enfrenta governo para endurecer punição às facções
Relator promete nova versão do texto, defende aumento rígido das penas e diz que críticas do governo revelam resistência ao combate real ao crime organizado.
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) transformou o debate do PL Antifacção em uma disputa que vai muito além da Câmara: virou uma batalha entre quem quer endurecer de verdade o combate às facções criminosas — e quem tenta, segundo ele, manter tudo como está.
Enquanto o governo federal pressiona, afirma que o texto vai gerar “caos jurídico” e tenta atrasar a votação, Derrite segue firme. Ele já prepara a quinta versão do substitutivo, empenhado em fechar brechas e deixar o projeto mais robusto.
Derrite puxa para si a responsabilidade
Ex-secretário de Segurança de São Paulo, Derrite não esconde que assumiu essa relatoria com propósito claro: mudar a lógica da impunidade.
O ponto central da disputa é o aumento das penas. Derrite lembra que hoje, no Brasil, um faccionado que mata uma criança pode cumprir apenas 4 anos e 8 meses de prisão — algo que considera uma aberração jurídica e moral.
Seu relatório muda essa realidade:
• Pena mínima: 21 anos de regime fechado
• Pena máxima: 30 anos
Derrite tem repetido:
“Queriam manter tudo como está. Eu não aceito.”
Governo se contorce, mas Derrite avança
Enquanto o Planalto critica o relatório, Derrite afirma que boa parte da “indignação” não vem de problemas técnicos, mas da resistência ao endurecimento das penas.
Segundo ele, os ataques ao relatório se intensificaram justamente quando o texto ficou mais rígido contra facções.
O governo reclama que o substitutivo mexe em fundos federais e cria conflitos legais. Derrite, entretanto, afirma que já ajustou e vai continuar ajustando o necessário — sem abrir mão da espinha dorsal do projeto: punir de verdade o crime organizado.
Um relator que não recua
O parlamentar também retirou pontos que geraram polêmica, como:
- a limitação da atuação da Polícia Federal;
- a inclusão das facções na Lei Antiterrorismo, que poderia trazer repercussões internacionais indesejadas.
Mesmo assim, Derrite deixou claro:
“O que não vou tirar é o que realmente incomoda o crime: penas altas e regime fechado longo.”
Motta banca Derrite
O presidente da Câmara, Hugo Motta, manteve a votação do PL para esta terça-feira (18), mesmo com o governo pedindo mais tempo. Motta também reconhece a urgência do tema e reforça que o projeto, sob o comando de Derrite, trata com seriedade a ameaça das organizações criminosas.
A expectativa
Com a nova versão prestes a ser apresentada, Derrite chega à votação como o principal nome da Câmara no enfrentamento às facções.
A sessão promete ser tensa, mas Derrite já mostrou que não pretende recuar — e que a pressão do governo só reforça sua determinação.