
Quando o discurso não combina com a prática: Lula fala em combater o crime enquanto rejeita chamar facções de terroristas
Após conversa com Trump, presidente pede cooperação contra o crime internacional — justo ele, que se recusa a reconhecer o terror das facções que sangram o país
A ligação de 40 minutos entre Lula e Donald Trump foi apresentada pelo governo como “produtiva”, cheia de avanços comerciais e promessas de parceria para enfrentar o crime organizado internacional. Na conversa, Lula comemorou a retirada da tarifa extra de 40% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros e pediu pressa para destravar outras pendências comerciais. Até aí, nada fora do script diplomático.
Mas o contraste salta aos olhos quando o presidente brasileiro posa como defensor do combate ao crime. Lula insistiu na urgência de reforçar ações conjuntas com os Estados Unidos contra facções que operam dentro e fora do país, citando operações recentes do governo federal para sufocar financeiramente esses grupos.
E é aqui que surge o incômodo inevitável: como acreditar no súbito fervor anticrime de quem se recusa até hoje a classificar facções como organizações terroristas — justamente as mesmas que espalham medo, executam inocentes, controlam territórios inteiros e desafiam o Estado diariamente?
O presidente americano demonstrou total disposição para cooperar, dizendo que apoiará qualquer iniciativa conjunta contra o crime transnacional. Ambos combinaram continuar o diálogo nas próximas semanas.
Enquanto isso, no Brasil real, permanece a incoerência: um governo que diz querer derrotar o crime organizado, mas que trava a principal medida simbólica e prática para enquadrar essas facções no tamanho da ameaça que representam.
O resultado é um discurso que tenta soar firme, mas que tropeça na própria contradição. Fica difícil levar a sério um combate anunciado apenas na retórica, enquanto a realidade das ruas e das prisões mostra um país refém de grupos que o governo se recusa a chamar pelo nome correto.