Roberta Luchsinger decide tirar as filhas do Brasil às pressas após relatar ameaças e temer pela segurança da família

Roberta Luchsinger decide tirar as filhas do Brasil às pressas após relatar ameaças e temer pela segurança da família

Lobista que afirma ter sido próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, diz que pretende fazer delação premiada; acidente envolvendo a filha mais velha e restrições judiciais estão entre os fatores que, segundo ela, motivaram a decisão.

A empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger decidiu enviar suas duas filhas para fora do Brasil após afirmar que vem recebendo ameaças e teme pela própria vida e pela segurança das jovens. A informação foi publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, em reportagem da coluna de Andreza Matais.

A decisão ganhou força depois de uma entrevista concedida por Roberta à CNN Brasil, no sábado, 17 de outubro. Na ocasião, ela declarou que estava sendo ameaçada, rompeu publicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada.

A lobista fez uma declaração contundente ao responsabilizar politicamente o presidente por qualquer eventualidade envolvendo sua família. Segundo ela, as ameaças se intensificaram depois que Lula a chamou de “pilantra” publicamente. A alegação é de Roberta e, até o momento, não significa que tenha sido comprovada uma relação direta entre as declarações do presidente e as supostas ameaças.

Quem são as filhas e por que elas devem deixar o país?

Roberta Luchsinger tem duas filhas. A mais velha, Valentina, tem 21 anos e estuda Direito. A mais nova tem 16 anos e é filha do relacionamento da lobista com Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado federal.

Segundo o Metrópoles, as duas jovens deverão deixar o Brasil em breve. Pessoas próximas a Roberta confirmaram a informação à coluna. Ambas mantêm proximidade com Protógenes Queiroz, que atualmente vive na Suíça.

Um dos fatores que pesaram na decisão foi um acidente de automóvel envolvendo Valentina no início de outubro, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Roberta afirmou que não conseguiu comparecer ao local porque está submetida a medidas cautelares que restringem seus deslocamentos. Ela também declarou que o acidente ainda não estava esclarecido e que a polícia investigava o ocorrido.

É importante ressaltar que não há, nas informações publicadas, comprovação de que o acidente tenha sido provocado intencionalmente ou esteja relacionado às ameaças relatadas pela lobista. Essa possibilidade não deve ser apresentada como fato confirmado.

Ruptura com Lula e promessa de delação premiada

O episódio ganhou dimensão política porque Roberta Luchsinger afirma ter mantido proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.

A lobista se apresentava como sócia de Lulinha e está relacionada a investigações sobre suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades envolvendo negócios com órgãos públicos. As suspeitas estão sob apuração, e não equivalem a uma condenação.

Roberta declarou que pretende buscar uma delação premiada, instrumento jurídico que permite a um investigado colaborar com as autoridades em troca de benefícios legais, desde que sejam cumpridos os requisitos previstos em lei e haja validação judicial quando exigida.

Uma eventual colaboração poderá ter relevância caso apresente informações verificáveis, documentos e elementos capazes de esclarecer as relações comerciais e políticas investigadas. A simples intenção de delatar, contudo, não comprova as acusações nem significa que um acordo já tenha sido firmado.

O que Lula e o governo dizem?

Lula declarou publicamente não conhecer Roberta Luchsinger e a chamou de “pilantra”. A lobista contestou o presidente, afirmou que ele estava mentindo e o acusou de contribuir para o ambiente de hostilidade que diz enfrentar.

Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que Lula não manteve interlocução com Roberta, não recebeu demandas dela e não tinha conhecimento das supostas tratativas mencionadas. O governo também declarou que não existem contratos federais com a empresária e questionou o momento em que as acusações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno eleitoral.

Há, portanto, versões conflitantes. As declarações de Roberta precisam ser confrontadas com documentos e provas, assim como as negativas do presidente devem ser avaliadas à luz dos fatos que vierem a ser esclarecidos.

Um caso que exige investigação e transparência

A decisão de mandar as filhas para o exterior, as alegações de ameaças, o acidente de Valentina e a intenção de buscar uma delação premiada colocam o caso no centro de uma disputa política que envolve o presidente Lula e pessoas próximas ao seu filho.

A situação também levanta questionamentos sobre as condições impostas à lobista pela Justiça e sobre a segurança de seus familiares. Se as ameaças relatadas forem confirmadas, elas precisam ser investigadas com seriedade, independentemente das posições políticas dos envolvidos.

Da mesma forma, as suspeitas relacionadas a possíveis irregularidades financeiras ou tráfico de influência devem ser apuradas sem privilégios e sem condenações antecipadas. A sociedade tem direito a conhecer os fatos, mas a responsabilização de qualquer pessoa deve depender de provas e do devido processo legal.

A saída das filhas do Brasil, por si só, não comprova a existência de uma perseguição política nem confirma as acusações feitas por Roberta. O que existe, até aqui, é o relato da lobista, a decisão de mudar as jovens para o exterior, a informação sobre o acidente investigado e uma ruptura pública com Lula.

O próximo passo é esclarecer o que efetivamente aconteceu, apurar as ameaças denunciadas e verificar se uma eventual delação poderá trazer elementos concretos às investigações.

Equipe Não Calo Notícias

Buscamos sempre a verdade e transparência.

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