Rumble e Trump Media tentam “dar um jeitinho” e pedem intimação de Moraes por e-mail

Rumble e Trump Media tentam “dar um jeitinho” e pedem intimação de Moraes por e-mail

Empresas dizem que caminho oficial no Brasil foi “bloqueado” e jogam mais pressão sobre o ministro do STF

A defesa da Rumble e da Trump Media & Technology Group entrou com um pedido na Justiça Federal dos Estados Unidos, nesta segunda-feira, solicitando que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, seja notificado por e-mail.

O argumento dos advogados é direto: segundo eles, o caminho formal para contato com o magistrado no Brasil teria sido travado, o que estaria impedindo o andamento do processo. Com isso, a ação contra Moraes segue parada desde julho do ano passado, justamente porque o ministro ainda não teria sido intimado oficialmente.

Até a publicação da reportagem, o STF não respondeu ao pedido de posicionamento.

Processo nos EUA tenta barrar ordens de Moraes

O caso envolve uma ação na Flórida, em que as duas empresas — incluindo a Trump Media, dona da rede social Truth Social — pedem que a Justiça americana bloqueie ordens atribuídas a Moraes relacionadas à remoção de perfis de bolsonaristas nas plataformas.

No meio da disputa, outras partes se juntaram ao processo e chegaram a provocar o tribunal com pedidos ligados à Lei Magnitsky, que foi citada no caso como instrumento para investigar o ministro.

Defesa fala em “blindagem” e critica burocracia brasileira

Segundo os advogados, o processo ficou travado por meses porque, em vez de cumprir a intimação como um procedimento comum, autoridades brasileiras teriam colocado novas camadas de análise, pedindo inclusive:

  • avaliação do Ministério Público
  • sigilo nos autos do pedido
  • recomendações reservadas
  • e até defesa do bloqueio total da citação, sob o argumento de “soberania nacional”

Na prática, para as empresas, isso virou uma espécie de muro burocrático, que impede o processo de andar.

Pedido: notificação por e-mail e fim da “enrolação”

Com o impasse, a defesa afirma que não existe perspectiva de intimação em prazo razoável, e por isso quer que Moraes seja notificado diretamente por e-mail.

A reportagem lembra ainda que, no pedido original, foi indicado até o endereço residencial do ministro, em São Paulo, como local de intimação.

Acusação pesada: ordens “sob ameaça”

No documento apresentado à Justiça dos EUA, os advogados também alegam que Moraes teria usado o e-mail em outras ocasiões para enviar ordens extrajudiciais, exigindo que a Rumble:

  • bloqueasse contas
  • entregasse dados de usuários protegidos nos EUA
  • nomeasse um agente de notificação no Brasil
  • tudo isso, segundo a defesa, “sob ameaça”

STJ, PGR e AGU entraram no caminho

A defesa afirma que tentou seguir o trâmite formal por meio do STJ, que seria o órgão responsável por encaminhar pedidos de cortes estrangeiras.

Mas, segundo a versão das empresas, o STJ solicitou pareceres da PGR e da AGU, o que teria congelado o procedimento, sem prazo claro e sem garantia de que a intimação vá acontecer.

Mais uma vez, o gabinete de Moraes não se manifestou.

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