Sanções dos EUA travam agenda de Barroso e expõem crise diplomática com STF

Sanções dos EUA travam agenda de Barroso e expõem crise diplomática com STF

Presidente do Supremo tem compromissos acadêmicos afetados após cassação de visto; governo Trump mira ministros por supostos “abusos de autoridade”

A decisão do governo Donald Trump de impor sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal começou a gerar consequências práticas — e diplomáticas. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, já sentiu os efeitos: sua agenda internacional nos Estados Unidos foi impactada pela cassação de vistos e pela proibição de entrada em território americano.

Antes das restrições, Barroso tinha compromissos confirmados com três das universidades mais prestigiadas do país: Yale, Stanford e Nova York, além de manter uma relação próxima com Harvard. Com a suspensão do visto, todas essas agendas ficaram em suspenso — e a crise entre Washington e Brasília ganhou mais um capítulo constrangedor.

Embora a lista oficial dos sancionados ainda não tenha sido divulgada, fontes apontam que além de Alexandre de Moraes, outros oito ministros do STF foram incluídos, entre eles Barroso, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Fora da mira, até agora, estariam apenas André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux.

Segundo Trump, a medida é uma resposta direta ao que ele classifica como “abusos” do STF contra cidadãos e empresas norte-americanas. A sanção também seria uma retaliação à suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, velho aliado do republicano.

Ao ser questionado por jornalistas após um evento da OAB no Ceará, Barroso preferiu manter a discrição:

“Estamos observando os acontecimentos. Ainda não é hora de comentar.”

O ministro também negou que tenha dito a frase atribuída a ele pelo jornal Valor Econômico — “sempre haverá Paris”, em referência ao clássico filme Casablanca —, usada para ironizar o cancelamento dos vistos.

“Nunca falei isso. Levo o assunto com a seriedade que ele exige.”

Sobre um eventual recurso contra a decisão dos Estados Unidos, Barroso disse estar acompanhando tudo com cautela e reafirmou que o STF não ultrapassou limites legais ou constitucionais:

“Estamos apenas cumprindo o papel que a Constituição nos impõe.”

Mesmo tentando manter o tom institucional, a situação é grave. Um país que sempre foi parceiro estratégico do Brasil agora barra ministros da Suprema Corte como se fossem persona non grata. Um sinal claro de que a crise política brasileira, alimentada por alianças tóxicas e narrativas extremistas, já ultrapassou nossas fronteiras — e começa a cobrar seu preço no plano internacional.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias