
Trump fecha as portas para o Brasil: Casa Branca ignora tentativas de diálogo sobre tarifaço
Senadores brasileiros viajam aos EUA para negociar, mas encontram resistência e até sabotagem de Eduardo Bolsonaro e aliados de Trump
Enquanto o relógio corre rumo ao dia 1º de agosto — quando deve entrar em vigor o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil — uma comissão de senadores embarca nesta sexta-feira (25) para os Estados Unidos na tentativa de abrir um canal de negociação. Mas o cenário é desanimador. Segundo fontes ligadas ao Planalto, o próprio presidente americano já deixou claro: não quer conversa.
Assessores de Lula que estão em Nova York ouviram de interlocutores na Casa Branca que Trump vetou qualquer abertura formal de diálogo com o governo brasileiro. Tudo está centralizado nele — e ninguém quer ou pode contrariar suas ordens. Nem mesmo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, que teve uma conversa recente com o vice-presidente Geraldo Alckmin, conseguiu avançar nas tratativas.
“Ele não quer conversar”, resumiu o presidente Lula, com indignação, nesta quinta-feira (24).
O clima em Washington é de tensão. O presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, que também está nos EUA, confirmou em conversas informais que há medo generalizado de confrontar Trump e que ninguém se atreve a tomar qualquer iniciativa sem sua autorização.
A situação é ainda mais delicada porque a própria missão dos senadores brasileiros vem sendo boicotada por dentro: o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo, ligados diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, estão agindo nos bastidores para impedir reuniões da comitiva brasileira com parlamentares e representantes do governo Trump.
Apesar do clima pessimista, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que o grupo não pode cruzar os braços:
“A gente precisa entender o que está por trás dessa resistência. É política? É o Bolsonaro? É a moeda dos Brics? Ninguém sabe.”
A primeira reunião de trabalho da comissão está marcada para domingo (27). Na segunda (28), os senadores terão encontros com empresários da Câmara Americana de Comércio e serão recebidos na embaixada brasileira. Na terça (29), irão ao Capitólio para tentar conversar com parlamentares americanos. O tempo, porém, está curto — e as portas, claramente, estão fechadas.