
Sem Luiz Inácio Lula da Silva, atos do 1º de Maio ocupam São Paulo em meio a clima político tenso
Após uma semana de derrotas em Brasília, mobilizações sindicais defendem pautas do governo enquanto ausência de Lula chama atenção
O Dia do Trabalhador em São Paulo chegou com ruas ocupadas, discursos afinados… e uma ausência que não passou despercebida: a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio a uma semana politicamente turbulenta, marcada por derrotas importantes no Congresso, o líder petista ficou fora dos principais atos organizados por centrais sindicais ligadas à esquerda.
Espalhadas pela capital e região metropolitana, as manifestações trouxeram à tona bandeiras defendidas pelo governo, como o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos — temas que seguem em debate no Congresso e são apresentados como avanços sociais. No entanto, o contraste entre o discurso nas ruas e o cenário político em Brasília revela um momento delicado.
Um dos principais eventos ocorreu na região central, organizado por sindicatos como o dos Metalúrgicos de São Paulo e com presença de nomes conhecidos da política, como Fernando Haddad, Marina Silva, Simone Tebet e Paulinho da Força. Enquanto isso, outras centrais também organizaram atos em diferentes pontos da cidade, reforçando pautas sociais e trabalhistas.
Mas o pano de fundo político não ficou de fora das conversas. Afinal, a ausência de Lula acontece logo após duas derrotas significativas: a rejeição de seu indicado ao STF e a derrubada de um veto presidencial no Congresso. Coincidência ou estratégia? Nos bastidores, a leitura varia — mas o silêncio do presidente nas ruas fala alto.
Enquanto isso, a tradicional Avenida Paulista foi ocupada por grupos de direita, que realizaram manifestações com críticas ao governo, apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ataques ao Supremo Tribunal Federal.
No fim das contas, o 1º de Maio expôs mais do que reivindicações trabalhistas: mostrou um Brasil dividido, com discursos paralelos e um governo que, mesmo tentando embalar suas pautas, parece enfrentar dificuldades para manter o controle da narrativa.
E assim segue o roteiro: no palco, promessas e bandeiras; nos bastidores, derrotas recentes ainda ecoando. Enquanto isso, o trabalhador — aquele que deveria ser o protagonista do dia — assiste a mais um capítulo onde a política fala alto… e resolve pouco.