
“Sicário” ligado a Daniel Vorcaro recebia R$ 1 milhão por mês, aponta investigação da PF
Caso revela patrimônio incompatível, atuação violenta e morte sob custódia de Polícia Federal em Belo Horizonte
As investigações da Polícia Federal trouxeram à tona um esquema financeiro e operacional que envolve o empresário Daniel Vorcaro e seu suposto operador direto, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
De acordo com os dados apurados, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês por atividades consideradas ilícitas. Desse total, aproximadamente R$ 600 mil ficavam com ele, enquanto o restante era distribuído entre colaboradores ligados ao esquema.
Atuação e papel no esquema
Segundo os investigadores, Mourão atuava como braço operacional, sendo responsável por ações de intimidação, levantamento de informações e possíveis ameaças contra adversários ligados ao empresário.
O caso ganhou ainda mais gravidade ao revelar que, apesar da alta movimentação financeira, o investigado declarou à Receita Federal apenas R$ 2,5 milhões em rendimentos entre 2020 e 2024 — valor considerado incompatível com o padrão de vida e os bens acumulados.
Patrimônio suspeito e evolução acelerada
As apurações apontam que o patrimônio de Mourão quadruplicou em poucos anos. Em 2019, os bens eram significativamente menores, mas em 2024 ele já declarava cerca de R$ 8,4 milhões — podendo chegar a R$ 11,9 milhões ao considerar itens não totalmente registrados.
Entre os bens que chamaram atenção estão relógios de luxo avaliados em milhões:
- Um modelo da marca Richard Mille estimado em R$ 2 milhões
- Outros relógios avaliados em R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão
- Peças da Patek Philippe avaliadas em até R$ 900 mil
Curiosamente, parte desses itens foi declarada por valores muito abaixo do mercado, levantando suspeitas de subdeclaração e tentativa de ocultação patrimonial.
Além disso, documentos fiscais mostram inconsistências frequentes, como alterações no valor de imóveis declarados ao longo dos anos, o que reforça indícios de irregularidades.
Prisão e morte sob custódia
Luiz Phillipi Mourão foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, em Belo Horizonte. Dois dias após a detenção, ele morreu dentro da cela da PF, no dia 6 de março.
Segundo a investigação oficial, a morte foi resultado de suicídio, sem indícios de participação de terceiros. A conclusão se baseou em imagens de câmeras de segurança e na ausência de sinais de interferência externa.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.
Caso expõe fragilidade e levanta dúvidas
O episódio escancara não apenas a dimensão financeira do esquema investigado, mas também levanta questionamentos sobre a fiscalização de movimentações milionárias e a eficácia dos mecanismos de controle.
A discrepância entre os valores declarados e o patrimônio real, somada ao padrão de vida elevado e à atuação violenta atribuída ao investigado, evidencia falhas que vão além de um caso isolado.
Ao mesmo tempo, a morte sob custódia encerra uma peça-chave da investigação, deixando lacunas importantes sobre o funcionamento completo do esquema e seus possíveis desdobramentos.
O caso envolvendo Daniel Vorcaro e seu suposto operador direto segue sob análise e reforça o alerta sobre a complexidade e o alcance de estruturas clandestinas que operam à margem do sistema financeiro e institucional.