
Silêncio no STF expõe fissuras no apoio a Moraes
Oito ministros evitam defender colega sancionado pelos EUA, apesar da pressão política e institucional
A reabertura das atividades do Supremo Tribunal Federal, nesta semana, revelou um detalhe incômodo para Alexandre de Moraes: nem todos na Corte parecem dispostos a endossar publicamente sua defesa. Oito ministros optaram pelo silêncio diante das manifestações de solidariedade ao magistrado, sancionado pelo governo dos Estados Unidos sob acusação de censura, perseguição política e violações de direitos humanos.
Entre os que não se pronunciaram estão André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Edson Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux. Alguns compareceram, outros participaram por videoconferência, mas todos preferiram não se alinhar abertamente ao discurso de defesa do colega.
A situação se repetiu na noite anterior, quando Lula reuniu ministros do STF no Palácio do Planalto para demonstrar “unidade” contra as sanções americanas. Seis dos onze magistrados não apareceram — um esvaziamento simbólico da foto que o governo pretendia usar como ato político.
Enquanto Moraes promete ignorar a Lei Magnitsky e seguir com processos polêmicos, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o mal-estar dentro da Corte se torna visível. O silêncio de parte dos ministros não é mero acaso: é um recado de que, apesar da aparência de coesão institucional, há divergências profundas sobre o rumo que o STF tem tomado — e sobre até onde vale a pena se comprometer com a defesa pessoal de um colega em meio a acusações internacionais tão graves.