
STF agenda julgamento de militares e policial ligados ao suposto plano golpista
Nove réus são acusados de integrar núcleo que planejou suposta ações para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) definiu para os dias 11, 12, 18 e 19 de novembro o julgamento da ação penal envolvendo o chamado núcleo 3 da suposta trama golpista, que investigou tentativas de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, liberou o processo para julgamento, que será conduzido pelo presidente do colegiado, ministro Flávio Dino.
O grupo tem nove réus — oito militares do Exército e um policial federal — acusados de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio histórico. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), eles executaram ações táticas do plano golpista, incluindo a “neutralização” de autoridades como o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE à época.
As investigações apontam que o grupo integrava o Plano Punhal Verde e Amarelo, além das operações Copa 2022 e Luneta. Também pressionaram o alto comando das Forças Armadas a aderir ao movimento golpista, inclusive através da “Carta ao Comandante do Exército”, assinada por oficiais superiores com críticas ao Judiciário e questionamentos sobre o resultado eleitoral.
Entre os réus estão o general Estevam Theophilo, que chefiava o Comando de Operações Terrestres (Coter), e era peça central na mobilização das Forças Especiais, conhecidas como “kids pretos”, para prender autoridades e criar um Gabinete Institucional de Crise. Outros integrantes incluem coronéis, tenentes-coronéis e um policial federal.
Até o momento, apenas o núcleo 1, envolvendo Bolsonaro e outros sete réus, foi julgado e resultou em condenações. Ainda este ano, o STF deve analisar os núcleos 2 e 4, enquanto o núcleo 5, ligado ao empresário Paulo Figueiredo, segue sem data definida, pois ele reside nos Estados Unidos e não apresentou defesa.