
STF condena 9 dos 10 réus do núcleo 3 da trama golpista
Ministros votam pela culpabilidade de militares e agentes que planejavam desestabilizar eleições e atacar autoridades
BRASÍLIA – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (18) o julgamento do chamado núcleo 3 da trama golpista. Nesta fase, os ministros apresentam seus votos para decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos.
O ministro Cristiano Zanin seguiu o relator Alexandre de Moraes e votou pela condenação de 9 dos 10 réus, enquanto absolveu o general da reserva Estevam Cals Theophilo por falta de provas. Zanin também sugeriu penas mais brandas para Ronald Ferreira de Araújo Júnior e Márcio Nunes de Resende Júnior, que responderão por incitação e associação criminosa.
Condenados:
- Bernardo Romão Correa Netto, coronel do Exército;
- Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército;
- Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército;
- Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel do Exército;
- Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército;
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel do Exército;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército;
- Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal.
No voto, Moraes destacou que o grupo buscava espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas, criando um “caos social” para deslegitimar a Justiça Eleitoral e desestabilizar o país. Entre os crimes apontados estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou que o grupo atuava em duas frentes: pressionar o Alto Comando do Exército a apoiar o golpe e planejar ataques contra autoridades, incluindo o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio ministro Moraes. “As investigações deixam claro que havia disposição homicida e brutal por parte da organização”, afirmou.
A acusação se baseia em gravações, mensagens, planilhas e documentos internos da organização, como “Desenho Op Luneta” e “Punhal Verde Amarelo”, que detalham as etapas do plano golpista.
Outros núcleos já tiveram condenações: 15 réus do núcleo 1 e núcleo 4, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, já foram punidos. O julgamento do núcleo 2, responsável por ataques a instituições, começa em 9 de dezembro, enquanto o núcleo 5, com único acusado Paulo Figueiredo, ainda aguarda análise.