STF mantém condenação de mãe de 7 filhos envolvida no 8 de Janeiro

STF mantém condenação de mãe de 7 filhos envolvida no 8 de Janeiro

Alexandre de Moraes rejeita recurso de Gisele Alves Guedes, que diz ter trabalhado como vendedora e não participado dos atos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela rejeição do recurso apresentado por Gisele Alves Guedes, uma mulher de 39 anos, mãe de sete filhos, condenada a 14 anos de prisão por suposto envolvimento nos eventos do 8 de Janeiro.

Gisele, que vive em Planaltina (DF) e enfrenta graves dificuldades financeiras, foi ao Quartel-General do Exército, em Brasília, não para protestar, mas para vender mercadorias a quem participava dos atos. Segundo a defesa, ela aceitou o trabalho temporário por R$ 200 por dia, tentando garantir o sustento da família — entre seus filhos, cinco são menores, incluindo um bebê.

Recurso rejeitado e decisão mantida

O julgamento, iniciado em 31 de outubro, deve ser concluído até o dia 10 de novembro. A 1ª Turma do STF já havia confirmado a condenação em junho, e agora Moraes defendeu que o pedido da defesa não apontava nenhuma falha concreta, classificando-o apenas como “inconformismo com o resultado do julgamento”.

Em seu voto, o ministro afirmou que “o acórdão analisou com exatidão toda a pretensão jurídica deduzida” e que os embargos de declaração não servem para rediscutir o mérito da decisão. Moraes também destacou que o julgamento original se baseou em um “robusto conjunto probatório”, e que o tribunal não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela defesa.

“Fui vender, não protestar”

Os advogados de Gisele alegam que ela não teve participação direta nos atos de invasão, e que o único material usado contra ela é um vídeo gravado no celular, mostrando a movimentação de manifestantes naquele dia.

A defesa também apresentou um laudo médico que comprova que Gisele sofre de enfisema pulmonar, doença respiratória que limita sua capacidade de trabalho.

Segundo seus relatos, ela não foi ao acampamento por motivação política, e deixou a Praça dos Três Poderes assim que percebeu o início da confusão. Mesmo assim, foi presa e condenada a uma das penas mais altas entre os réus do caso.

Um retrato da desigualdade

O caso de Gisele, cantora e vendedora ambulante, escancara uma contradição dolorosa: enquanto empresários e articuladores dos atos seguem em liberdade, uma mãe de sete filhos permanece presa por vender produtos na rua errada, no dia errado.

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