
STF prefere ficar em casa e evita clima de palanque no 8 de Janeiro
Fachin declina convite de Lula e foge de interpretação política sobre veto da Dosimetria
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidiu não comparecer à cerimônia organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para marcar o aniversário dos atos de 8 de janeiro. O evento, além de simbólico, acabou ganhando contornos políticos após Lula usar o palco para vetar integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria, que reduzia penas dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
Nos bastidores, a ausência de Fachin foi lida como um gesto calculado: o ministro teria preferido não correr o risco de sua presença ser interpretada como um “sinal verde” ao veto presidencial. Oficialmente, porém, o chefe do STF manteve silêncio absoluto sobre os motivos do não comparecimento — o que, em Brasília, costuma falar alto por si só.
A cautela não foi exclusividade do Supremo. Também passaram longe da solenidade os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reforçando a percepção de que o clima político estava longe de ser apenas comemorativo.
Circulam ainda informações de que integrantes do STF teriam participado de conversas com o Congresso durante a tramitação do projeto, aprovado no final de dezembro, quase no apagar das luzes do Legislativo antes do recesso. O texto acabou beneficiando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que elevou ainda mais a temperatura do debate.
Desde então, Lula já vinha avisando que não assinaria nenhuma proposta que aliviasse punições aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O veto, agora oficializado, devolve a bola ao Congresso, que terá de decidir se mantém a canetada presidencial ou se resolve comprar mais um capítulo dessa novela institucional.