
STF: Zanin pede vista e suspende julgamento sobre escolas cívico-militares em São Paulo
Ministro do Supremo Tribunal Federal interrompe análise de ADIs que questionam programa do governo Tarcísio de Freitas; decisão adia desfecho por até 90 dias
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e suspendeu nesta terça-feira (26) o julgamento que discute a validade do modelo de escolas cívico-militares implementado no estado de São Paulo.
Com a decisão, o julgamento fica interrompido por até 90 dias, prazo máximo para que o ministro devolva o processo ao plenário da Corte.
O que está em discussão no STF
O caso envolve duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) apresentadas por partidos da oposição, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
As ações questionam a legalidade do programa de escolas cívico-militares adotado pelo governo paulista, comandado pelo governador Tarcísio de Freitas.
Segundo dados apresentados no processo, apenas em 2025 cerca de 100 escolas da rede estadual de São Paulo passaram a integrar o modelo, que combina gestão pedagógica tradicional com presença de militares na administração disciplinar.
O que já foi votado
O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, já havia apresentado voto favorável à manutenção da lei estadual que criou o programa.
Mesmo assim, o julgamento ainda não estava concluído quando Zanin pediu vista, o que automaticamente interrompe a análise.
O que é o pedido de vista
O pedido de vista é um recurso regimental que permite a um ministro do STF ter mais tempo para analisar o processo antes de votar. Na prática, ele pausa o julgamento sem uma decisão final.
Com isso, o caso volta à pauta apenas quando o ministro devolver o processo ao plenário.
Debate político e jurídico
O modelo de escolas cívico-militares tem sido um dos temas mais sensíveis na área da educação nos últimos anos, dividindo opiniões entre gestores, especialistas e partidos políticos.
Defensores afirmam que o programa melhora disciplina e organização nas escolas públicas. Já críticos argumentam que a militarização da gestão escolar levanta questionamentos constitucionais e pedagógicos, especialmente sobre o papel das forças militares dentro do ambiente educacional.