Suspeito de ligação com roubo de obras raras de Matisse e Portinari é preso em São Paulo

Suspeito de ligação com roubo de obras raras de Matisse e Portinari é preso em São Paulo

Homem surgiu em imagens de segurança conversando com os assaltantes antes do furto de 13 obras na Biblioteca Mário de Andrade; Interpol já foi acionada

A polícia prendeu, nesta segunda-feira (8), um dos homens apontados como envolvidos no roubo de 13 obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo. A informação foi confirmada pelo prefeito Ricardo Nunes.

O suspeito aparece nas gravações do sistema SmartSampa interagindo com os criminosos que invadiram o local e levaram oito obras do francês Henri Matisse e cinco gravuras do brasileiro Cândido Portinari.

A Prefeitura comunicou que já pediu apoio à Interpol, dada a possibilidade de as peças terem sido levadas para fora do país.

Criminosos passearam com as obras pelas ruas do Centro

As cenas registradas pelas câmeras de segurança parecem roteiro de filme surreal: após o furto, os assaltantes caminharam tranquilamente pelo Centro Histórico carregando os quadros nas mãos. Em determinado momento, desceram do carro, circularam pela rua com as obras expostas e as deixaram em um ponto próximo à biblioteca.

As peças de Matisse pertencem ao raro álbum Jazz (1947) — apenas 250 exemplares existem no mundo, numerados e assinados. As gravuras de Portinari são da série Menino de Engenho.

As obras estavam em destaque na mostra Do Livro ao Museu, organizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo e que encerraria no domingo, após dois meses em cartaz.

Obras de Matisse são consideradas joias do acervo

O curador da exposição, Cauê Alves, afirmou à CBN que as peças de Matisse estavam entre as mais preciosas da mostra — não apenas pelo valor artístico, mas pela história por trás delas.

Segundo ele, Matisse criou o Jazz enquanto se recuperava de um câncer, já idoso e impossibilitado de pintar. Usou recortes de papel colorido para compor a obra, que mais tarde virou um dos álbuns mais importantes da arte do século XX.

Assalto armado dentro da biblioteca

Funcionários relataram que dois homens usando macacões de serviço entraram na biblioteca, anunciaram o assalto e renderam os seguranças. A dupla fugiu a pé em direção ao metrô Anhangabaú. Não houve feridos.

A Polícia Militar, que estava nas imediações, correu para ajudar a equipe da biblioteca e iniciou buscas pelos responsáveis.

Obra já havia sido roubada nos anos 90

A história dessas peças no acervo paulistano é tão complexa quanto sua importância. O exemplar número 102 do Jazz de Matisse já havia sido furtado da Biblioteca Mário de Andrade nos anos 1990.

A Polícia Federal o recuperou na Argentina, em 2012. Depois disso, passou pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, até retornar à biblioteca em 2015.

Segurança e seguro

A Secretaria de Cultura informou que todas as peças expostas estavam seguradas e que a instituição conta com sistema de vigilância e câmeras ativas.

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