
Tarifaço de Trump pega Brasil de surpresa, e Lula convoca ministros às pressas
Com taxa de 50% sobre produtos brasileiros, presidente corre para articular resposta e diz que está defendendo “a soberania do povo brasileiro”
Logo após a oficialização do tarifaço por parte de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com urgência. Nesta quarta-feira (30), ele convocou uma reunião de última hora no Palácio do Planalto com ministros estratégicos para discutir a crise comercial provocada pela nova medida dos Estados Unidos.
Entre os convocados, estão o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda a pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Mais cedo, Trump assinou uma ordem executiva impondo uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, somando 50% de taxação total. Apesar da lista conter quase 700 exceções — como suco de laranja, combustíveis e aviões — o golpe atinge em cheio setores-chave, como carne bovina, café e cacau.
Lula fala em “dupla soberania”
Durante um evento em que sancionou a lei que proíbe o uso de animais em testes de cosméticos e pesquisas, Lula fez um comentário irônico e, em seguida, mostrou preocupação com o impacto do tarifaço.
“Hoje é dia de defender duas soberanias que eu respeito muito: a dos animais e a do povo brasileiro. Estou saindo com pressa para uma reunião porque as medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos exigem resposta firme”, declarou.
Medida vem com tom político
A decisão de Trump carrega um pano de fundo político: o republicano cita os processos judiciais contra Jair Bolsonaro como justificativa e classifica o cenário brasileiro como uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. A Casa Branca também aponta possíveis violações à liberdade de expressão e medidas brasileiras que prejudicariam empresas norte-americanas no país.
Comitê de crise
Desde o primeiro anúncio do tarifaço em 9 de julho, Lula determinou a formação de um comitê interministerial, liderado por Alckmin, para avaliar os impactos e negociar saídas com os setores mais atingidos. Agora, com a oficialização da medida, o grupo deve acelerar as estratégias para conter os prejuízos.
Quem foi poupado e quem será atingido
Apesar da longa lista de exceções — 694 produtos ficaram de fora da taxação — muitos itens importantes para a economia brasileira vão sentir o baque. Produtos como carne bovina, café e cacau serão taxados em 50%.
Os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro. Só em junho, compraram mais de US$ 148 milhões em café não torrado e mais de US$ 21 milhões em café torrado. Também lideram nas compras de cacau em pó e derivados — foram mais de US$ 22 milhões no último mês.
O setor teme perda de competitividade e retração nas exportações para um de seus maiores mercados.
Resumo:
O tarifaço de Trump acendeu o alerta no Planalto. Lula, entre sorrisos e pressa, tenta costurar uma reação com sua equipe econômica enquanto o Brasil corre contra o tempo para proteger produtos estratégicos e preservar sua soberania econômica diante de um cenário cada vez mais politizado e tenso nas relações com os EUA.