
Hugo Motta responde críticas de Lula e defende produtividade do Congresso
Presidente da Câmara enfatiza aprovação de projetos importantes e equilíbrio na relação com o Executivo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rebateu nesta quarta-feira (15) as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o “baixo nível” do Congresso. Em entrevista à Globonews, Motta interpretou as declarações de Lula como direcionadas à “extrema direita”, e não ao Legislativo como um todo.
Motta ressaltou a produtividade da Câmara, destacando a aprovação de boa parte da agenda econômica do governo, ainda que com algumas modificações. Ele reforçou que, mesmo em meio à polarização política e à proximidade das eleições de 2026, a Casa segue votando matérias relevantes para o país.
Relação com o Executivo
O presidente da Câmara defendeu a importância de manter um equilíbrio e blindagem na relação com o Executivo. Segundo ele, para que os projetos avancem com mais fluidez, o presidente Lula precisa recalibrar a governabilidade com os partidos, especialmente os de centro.
Motta apontou ainda que a execução orçamentária tem sido um ponto de tensão, citando atrasos decorrentes de decisões do STF e a ameaça de cortes em emendas para 2026. Ele destacou a importância desses recursos para municípios, que dependem das emendas para serviços essenciais, como saúde. O objetivo, segundo Motta, é alinhar com o Executivo uma forma de garantir o orçamento e a continuidade de políticas públicas.
Polarização e imunidade parlamentar
Sobre o aumento de ações penais contra deputados, Motta criticou o uso de processos por “crimes de opinião e falas na tribuna”, defendendo a imunidade parlamentar. “É sagrado para o parlamentar o direito de falar”, afirmou, mencionando que mais de 30 deputados respondem a ações de diferentes tipos.
Motta comentou também a situação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos e é acusado de tentar influenciar autoridades americanas contra ministros do STF. O presidente da Câmara disse que o deputado receberá tratamento regimental padrão, e que faltas acumuladas poderão gerar questionamentos sobre o mandato.
Revisão das penas do 8 de Janeiro
Em relação aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Motta defendeu que Câmara e Senado trabalhem juntos em um projeto que revise as penas, diferenciando quem planejou o golpe daqueles que apenas participaram das manifestações. Ele destacou que o ex-presidente Bolsonaro estava fora do país na data, e seu envolvimento teria sido mais de conivência do que de ação direta.
Com isso, Hugo Motta busca mostrar que o Congresso continua produtivo e atento, mesmo diante das críticas e da intensa polarização política.