
Tensão na Paulista: PM usa gás para dispersar manifestantes antes de ato de Flávio Bolsonaro
Confusão ocorreu horas antes da manifestação convocada pelo candidato do PL; grupo carregava cartazes contra Tarcísio de Freitas e tentou se aproximar da região onde ocorreria o ato da direita
A Avenida Paulista começou o 7 de Setembro de 2026 sob tensão. Horas antes do ato convocado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), a Polícia Militar de São Paulo utilizou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar um grupo de manifestantes nos arredores da avenida.
A ocorrência foi registrada durante a manhã, na região da Rua Carlos Comenale. Vídeos divulgados pelas reportagens mostram policiais e manifestantes em meio à fumaça, enquanto algumas pessoas correm para deixar o local. Segundo informações obtidas pelas equipes de reportagem, os policiais afirmaram que o grupo tentava acessar a Avenida Paulista, onde estava programada para a tarde uma manifestação de apoio à candidatura de Flávio.
Os manifestantes carregavam cartazes com críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), incluindo mensagens com os dizeres “Fora, Tarcísio”. A presença desses grupos aumentou a tensão em uma área que já estava sendo preparada para receber uma grande concentração de apoiadores da direita.
Polícia bloqueou acesso à Paulista
De acordo com as informações divulgadas até o momento, a Polícia Militar bloqueou o acesso à Avenida Paulista pela Rua Carlos Comenale durante a ocorrência.
As imagens registradas no local mostram a utilização de artefatos que produziram uma intensa nuvem de fumaça. Pessoas que estavam próximas precisaram se afastar da região enquanto policiais avançavam para dispersar o grupo.
A PM foi procurada para explicar as circunstâncias da ação. A corporação informou que as informações oficiais sobre o episódio seriam divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Até a publicação das reportagens consultadas, a SSP ainda não havia apresentado uma explicação detalhada sobre a operação.
Por isso, ainda não é possível afirmar, com base nas informações disponíveis, quais foram exatamente os motivos operacionais que levaram ao emprego do gás ou se houve confronto físico antes da dispersão.
O episódio aconteceu antes do ato de Flávio
A intervenção policial ocorreu em um momento particularmente sensível.
Para as 15h estava marcado o ato organizado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A manifestação tinha como principais palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes”.
O governador Tarcísio de Freitas também havia convocado seus apoiadores para participar da mobilização. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele pediu uma grande concentração e classificou o evento como uma “festa da direita” e “festa da família”.
O próprio Tarcísio, entretanto, iniciou o feriado em outra agenda. O governador não compareceu ao desfile cívico-militar no Anhembi e participou de um encontro na Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás. Mais tarde, estava prevista sua participação no ato da Paulista.
Uma manhã de forte polarização
A ocorrência policial não foi um episódio isolado dentro do cenário político de São Paulo neste 7 de Setembro.
Durante a manhã, o candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) realizou uma manifestação própria na Avenida Paulista, com críticas ao STF e defesa de uma reforma do Judiciário. O ato de Zema ocorreu separadamente da manifestação organizada por Flávio Bolsonaro.
A direita chegou, portanto, dividida em diferentes mobilizações. Flávio Bolsonaro organizou o principal ato na Paulista; Zema fez uma manifestação própria; e Renan Santos (Missão) participou de uma mobilização no Obelisco do Ibirapuera.
No centro dessa disputa está também a tentativa de cada candidato de conquistar o eleitorado conservador e ocupar o espaço político deixado pela ausência de Jair Bolsonaro na corrida presidencial.
Confronto ganha dimensão política
O uso de gás pela Polícia Militar acrescentou um novo componente à já acirrada disputa política.
De um lado, apoiadores da direita se concentravam para uma manifestação contra Lula e Moraes. Do outro, grupos de oposição ao governador Tarcísio também buscavam ocupar espaços próximos à Paulista.
O resultado foi uma manhã marcada por bloqueios, presença policial ostensiva, protestos e dispersão de manifestantes.
As imagens da fumaça espalhada pelas ruas rapidamente passaram a circular nas redes sociais, transformando a ocorrência em mais um episódio político do 7 de Setembro paulista.
Ainda não há, nas informações divulgadas até o momento, um balanço oficial sobre eventuais feridos, prisões ou detenções decorrentes da ação.
Paulista se transforma novamente em palco de conflito político
A Avenida Paulista tornou-se, mais uma vez, o principal palco da polarização política em São Paulo.
A diferença, desta vez, é que o conflito começou antes mesmo da manifestação principal. A região foi tomada por diferentes grupos políticos, enquanto a Polícia Militar precisou intervir para impedir a aproximação de manifestantes ao espaço reservado para o ato da direita.
O episódio também coloca em evidência um desafio para as forças de segurança: garantir a realização de manifestações políticas simultâneas e, ao mesmo tempo, preservar o direito de protesto de grupos que defendem posições contrárias.
Qualquer avaliação definitiva sobre a atuação policial, porém, dependerá dos esclarecimentos oficiais da Secretaria da Segurança Pública e da análise completa das imagens e circunstâncias da ocorrência.
Um 7 de Setembro cada vez mais politizado
A cena registrada na manhã desta segunda-feira sintetiza o ambiente de forte polarização que tomou conta de São Paulo.
Enquanto o desfile oficial ocorria no Anhembi, diferentes candidatos transformavam a capital paulista em território de disputa eleitoral. Zema atacava o STF. Flávio Bolsonaro preparava seu grande ato contra Lula e Moraes. Tarcísio mobilizava seus apoiadores. E grupos adversários protestavam contra o governador.
No meio dessa disputa, a Polícia Militar utilizou gás para dispersar manifestantes que estavam nas proximidades da Paulista.
O episódio, portanto, ultrapassa a dimensão de uma simples ocorrência policial. Ele se tornou parte do próprio cenário político do 7 de Setembro de 2026 — um feriado nacional que, em São Paulo, foi convertido em um dos maiores palcos da disputa eleitoral e institucional do país.
A imagem de policiais avançando em meio à fumaça, enquanto diferentes grupos políticos disputavam espaço nas ruas, tornou-se uma das cenas mais emblemáticas de uma manhã marcada pela tensão e pela polarização.