Tentativa de prisão de advogado na Câmara gera revolta e levanta suspeitas de abuso de autoridade

Tentativa de prisão de advogado na Câmara gera revolta e levanta suspeitas de abuso de autoridade

Defensor de Marcel Van Hattem é alvo de ação da Polícia Legislativa sem presença da OAB e episódio causa forte repercussão

O que deveria ser apenas mais uma sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados acabou se transformando em um episódio tenso, polêmico e, para muitos, inaceitável.

Na noite de 5 de maio de 2026, a Polícia Legislativa tentou deter o advogado Jeffrey Chiquini, responsável pela defesa do deputado Marcel Van Hattem, em pleno andamento da sessão em Brasília. A cena, que rapidamente ganhou repercussão, levantou questionamentos sérios sobre limites de autoridade dentro do próprio Parlamento.

Segundo relatos, a tentativa de prisão teria ocorrido após solicitações de parlamentares durante a discussão de pareceres no Conselho de Ética. O ponto mais delicado — e que acendeu o alerta — foi a ausência de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, condição considerada essencial em situações que envolvem a atuação de advogados.

Para muitos observadores, o episódio ultrapassa uma simples divergência de ordem em sessão. Ele toca diretamente em um princípio fundamental: o direito à ampla defesa. Quando um advogado é alvo de ação coercitiva no exercício da profissão, o impacto não é apenas individual — atinge o próprio funcionamento do sistema democrático.

A cena também foi interpretada por críticos como um sinal preocupante de escalada de tensão política dentro da Câmara. Em um ambiente já marcado por embates acalorados, a tentativa de deter um defensor durante sua atuação levanta dúvidas sobre até que ponto o espaço institucional está sendo preservado para o debate legítimo.

Por outro lado, apoiadores da medida podem argumentar que a ordem interna e o respeito às regras do colegiado precisam ser mantidos. Ainda assim, a forma como a situação se desenrolou — sem a presença da OAB e em meio a uma sessão sensível — gerou desconforto até entre quem defende maior rigor disciplinar.

No fim, o episódio deixa uma sensação difícil de ignorar: quando a linha entre autoridade e excesso parece borrada, o risco não é apenas de conflito político, mas de enfraquecimento das garantias básicas que sustentam o próprio Estado de Direito.

E essa é uma discussão que, claramente, está longe de terminar.

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