
Trump ameaça ordenar “ataque massivo” contra o Irã e diz que decisão está próxima
Presidente americano afirma que os Estados Unidos estão “totalmente preparados” para uma ofensiva maior do que as ações militares anteriores; escalada no Oriente Médio faz petróleo superar US$ 100 e provoca alerta da ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que considera ordenar um “ataque massivo” contra o Irã e declarou que está próximo de tomar uma decisão sobre uma possível nova ofensiva militar contra Teerã.
Em entrevista ao site Axios, Trump disse que a operação poderia ser maior do que qualquer ação militar realizada anteriormente durante o confronto entre os Estados Unidos e o Irã.
“Estou considerando um ataque maciço. Maior do que qualquer outro já realizado. Estou perto de tomar uma decisão. Estamos totalmente preparados para isso”, afirmou o presidente americano.
Apesar do tom de ameaça, Trump ressaltou que ainda não tomou uma decisão definitiva. Segundo o presidente, Israel poderia participar de uma eventual operação caso fosse solicitado, mas os Estados Unidos não dependeriam de apoio militar externo.
“Israel se juntaria em dois minutos se eu pedisse”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Não precisamos de ninguém”.
As declarações ocorreram em meio a uma nova escalada de tensões no Oriente Médio e à ameaça de expansão do conflito para rotas estratégicas de transporte de petróleo. O preço do barril do Brent voltou a superar a marca de US$ 100, enquanto o mercado passou a considerar os riscos de novos ataques contra embarcações e instalações ligadas à produção e à exportação de petróleo.
Ameaças contra o Irã e os houthis
Mais cedo, Trump havia ameaçado aplicar uma “grande punição militar” ao Irã e aos houthis, grupo rebelde que controla áreas do Iêmen e é apoiado por Teerã.
A ameaça foi feita depois de ataques contra dois navios-petroleiros sauditas no Mar Vermelho. O episódio elevou a preocupação internacional com a segurança de uma das principais rotas marítimas utilizadas para o transporte de petróleo e outras mercadorias.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump indicou que os ataques poderiam provocar uma resposta militar americana de grandes proporções.
O grupo houthi havia anunciado, na segunda-feira (20), um bloqueio naval contra embarcações da Arábia Saudita. Os rebeldes afirmaram que a medida era uma resposta a ataques contra áreas sob seu controle no Iêmen.
A escalada ocorre enquanto Omã tenta articular negociações envolvendo Riad, representantes iemenitas e a Organização das Nações Unidas para impedir que o conflito se amplie.
Antes dos ataques, uma missão naval da União Europeia já havia alertado para o risco de ações dos houthis no Mar Vermelho. A recomendação era de que embarcações ligadas à Arábia Saudita, aos Estados Unidos e a Israel adotassem medidas adicionais de segurança.
Com a confirmação dos ataques, os mercados reagiram imediatamente. O risco de interrupção ou ameaça às rotas de exportação sauditas fez o preço do petróleo Brent se aproximar novamente dos US$ 100 por barril.
Washington acusa Teerã de influenciar os houthis
Embora os houthis afirmem que o bloqueio naval está relacionado diretamente à guerra civil no Iêmen, autoridades americanas associam a ofensiva ao confronto regional mais amplo envolvendo o Irã.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o grupo foi influenciado por Teerã e defendeu uma redução das tensões.
A avaliação americana reforça a possibilidade de que Washington interprete novos ataques dos houthis como parte de uma estratégia regional iraniana. Essa leitura aumenta o risco de uma resposta direta dos Estados Unidos contra alvos ligados ao Irã.
ONU alerta para risco de escalada “inimaginável”
O agravamento da crise levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a fazer um alerta ao Conselho de Segurança.
Segundo Guterres, o Oriente Médio está sendo arrastado para um ciclo de confrontação cada vez mais amplo.
“A situação está saindo do controle. Ela está à beira do inimaginável. A região está sendo arrastada para um círculo cada vez maior de confrontação. Uma crise alimenta a outra. Uma escalada provoca a seguinte”, afirmou.
O secretário-geral também advertiu que, à medida que o conflito se amplia, os objetivos políticos originais das ofensivas acabam sendo substituídos pela própria dinâmica militar.
“À medida que essa dinâmica se espalha, os objetivos políticos ficam cada vez mais obscurecidos pelo próprio confronto”, disse.
Decisão de Trump pode ampliar o conflito
A ameaça de uma ofensiva “maior do que qualquer outra” coloca o Oriente Médio diante de um novo ponto de tensão. Uma ação direta dos Estados Unidos contra o Irã poderia provocar uma reação de Teerã e de grupos aliados na região, incluindo os houthis.
O risco mais imediato envolve a possibilidade de novos ataques contra navios e rotas comerciais no Mar Vermelho, além da ameaça de interrupção de fluxos de petróleo e de uma nova pressão sobre os preços internacionais da energia.
Trump, porém, ainda não anunciou uma ordem militar definitiva. O presidente afirmou que está avaliando as opções e que os Estados Unidos estão preparados para agir.
Enquanto Washington considera uma nova ofensiva, a diplomacia internacional tenta evitar que os episódios isolados se transformem em um conflito regional de maiores proporções. O alerta da ONU resume o temor de que uma sucessão de ataques, retaliações e ameaças transforme a crise em uma escalada difícil de controlar.