
Trump critica estratégia de Israel no Líbano e aposta na Síria para enfrentar o Hezbollah
Presidente dos EUA afirma que operações israelenses se prolongam sem resultados definitivos, elogia líder sírio Ahmed al-Sharaa e defende uma nova abordagem para a segurança no Oriente Médio
As divergências entre os Estados Unidos e Israel sobre a condução da guerra no Líbano voltaram a ganhar destaque durante a cúpula do G7, realizada na França. Em declarações que repercutiram internacionalmente, o presidente norte-americano Donald Trump criticou a estratégia militar israelense contra o Hezbollah e sugeriu que a Síria poderia desempenhar um papel mais eficaz no combate ao grupo armado apoiado pelo Irã.
Durante encontro com líderes mundiais, Trump afirmou que o conflito vem se arrastando há tempo demais e tem provocado um número elevado de mortes e destruição. Segundo ele, as operações militares conduzidas por Israel não conseguiram alcançar uma solução definitiva para enfraquecer o Hezbollah.
— Israel está lutando contra o Hezbollah há muito tempo e muitas pessoas estão morrendo. Não é necessário destruir prédios inteiros toda vez que se procura um alvo específico — declarou o presidente americano.
Críticas à condução da guerra
Trump demonstrou insatisfação com a forma como os ataques vêm sendo realizados no território libanês. Na avaliação do republicano, a ofensiva militar deveria ter alcançado seus objetivos há muito tempo e a continuidade dos confrontos acaba ampliando a instabilidade na região.
O presidente também relembrou os bombardeios realizados por Israel em Beirute poucos dias antes do avanço das negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Para ele, a ação contribuiu para aumentar a tensão em um momento considerado decisivo para a busca de um entendimento regional.
As declarações reforçam os sinais de desgaste entre Washington e o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Embora os dois países continuem aliados estratégicos, divergências sobre os rumos da guerra e sobre o processo diplomático com o Irã têm se tornado mais visíveis nos últimos meses.
Síria surge como alternativa defendida por Trump
Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a defesa feita por Trump de uma participação maior da Síria no enfrentamento ao Hezbollah.
Segundo o presidente americano, ele sugeriu ao governo israelense que permitisse ao novo governo sírio assumir protagonismo nessa questão. Trump afirmou acreditar que Damasco teria condições de lidar com o problema de forma mais eficiente.
O líder americano também elogiou o presidente interino sírio, Ahmed al-Sharaa, destacando sua atuação desde a queda do regime de Bashar al-Assad. Para Trump, o novo governante sírio tem demonstrado capacidade política e disposição para reconstruir as relações internacionais do país.
— Acho que os sírios fariam um trabalho melhor. Se Israel não consegue resolver a situação sem ampliar o número de vítimas, a Síria pode assumir esse papel — afirmou.
Acordo com o Irã influencia cenário regional
As declarações ocorrem em meio à expectativa pela formalização de um acordo entre Estados Unidos e Irã, considerado um dos principais acontecimentos diplomáticos do ano. O entendimento busca encerrar meses de tensão militar e abrir caminho para uma nova fase de negociações no Oriente Médio.
Entretanto, a situação do Líbano continua sendo um dos temas mais delicados das conversas. O Hezbollah permanece como um dos principais aliados regionais de Teerã e sua atuação militar segue no centro das preocupações de Washington e Tel Aviv.
Informações divulgadas por agências internacionais indicam que representantes ligados ao Hezbollah defendem que qualquer avanço nas negociações entre iranianos e americanos passe também pela retirada das tropas israelenses de áreas estratégicas do sul do Líbano.
Oriente Médio entra em nova fase de rearranjo político
Especialistas avaliam que as declarações de Trump refletem uma tentativa de reposicionar forças e alianças na região após anos de conflitos. A aproximação entre Washington e o novo governo sírio, algo impensável durante o regime Assad, demonstra mudanças significativas no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, a pressão para uma solução duradoura no Líbano continua crescendo. Enquanto Israel insiste em manter operações contra o Hezbollah, Estados Unidos e aliados internacionais buscam alternativas diplomáticas capazes de reduzir a violência e evitar uma nova escalada regional.
O desfecho dessas negociações poderá definir não apenas o futuro do Líbano, mas também o equilíbrio de poder em uma das regiões mais estratégicas e instáveis do planeta.