Trump volta a defender papel da Síria contra o Hezbollah e critica estratégia de Israel no Líbano

Trump volta a defender papel da Síria contra o Hezbollah e critica estratégia de Israel no Líbano

Durante encontro do G7 na França, presidente dos EUA afirma que Damasco poderia enfrentar o Hezbollah de forma mais eficaz e cobra mudanças na condução militar israelense no conflito regional

A participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na cúpula do G7, realizada em Evian-les-Bains, na França, voltou a provocar repercussão internacional após declarações sobre o conflito envolvendo Israel, Hezbollah e Síria. Em um dos momentos mais comentados do encontro, o líder americano defendeu novamente que a Síria assuma um papel mais ativo no enfrentamento ao Hezbollah e criticou a forma como o governo israelense vem conduzindo a guerra no Líbano.

Segundo Trump, Israel enfrenta o grupo libanês há muito tempo sem alcançar uma solução definitiva. Na avaliação do presidente americano, a continuidade do conflito tem provocado um elevado custo humano e político para toda a região.

— Sugeri a Israel que deixe a Síria lidar com o Hezbollah. Sinceramente, acredito que os sírios fariam isso melhor — declarou Trump durante conversas paralelas à reunião do G7.

A fala ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Desde março, Israel e o Hezbollah voltaram a protagonizar confrontos militares intensos, ampliando a instabilidade regional após os desdobramentos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Trump aumenta pressão sobre Netanyahu

As declarações também foram interpretadas como mais um sinal de divergência entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O presidente americano afirmou que não está satisfeito com a estratégia adotada por Israel no Líbano e sugeriu que o governo israelense deveria buscar alternativas menos destrutivas para enfraquecer o grupo apoiado pelo Irã.

Trump destacou que a guerra se prolonga há anos sem resultados definitivos e afirmou que o número de vítimas civis e militares tornou-se um fator preocupante para a comunidade internacional.

A posição do republicano reforça uma mudança de discurso observada nos últimos meses, marcada por críticas mais frequentes às operações militares israelenses e pela busca de novos atores regionais capazes de assumir protagonismo na segurança do Oriente Médio.

Síria rejeita possibilidade de intervenção

Apesar das declarações de Trump, o governo sírio tem demonstrado cautela diante da proposta.

Recentemente, o presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, negou publicamente rumores de que Damasco estaria preparando qualquer intervenção militar em território libanês. Durante encontro com lideranças locais, o governante afirmou que as especulações não passam de boatos e que seu governo não possui planos para abrir uma nova frente de conflito.

Posteriormente, representantes do Ministério do Interior sírio reforçaram que qualquer participação da Síria em questões relacionadas ao Líbano dependeria de coordenação oficial com o governo libanês e respeito à soberania do país vizinho.

Hezbollah continua no centro das disputas regionais

O Hezbollah permanece como um dos principais focos de preocupação para Washington e Tel Aviv. O grupo, apoiado historicamente pelo Irã, mantém influência política e militar significativa no Líbano e continua sendo visto pelos Estados Unidos e por Israel como uma das maiores ameaças à estabilidade regional.

A situação tornou-se ainda mais complexa após a queda do regime de Bashar al-Assad, no fim de 2024. Sob o comando de Ahmed al-Sharaa, a Síria iniciou um processo de reaproximação com países ocidentais e passou a se distanciar gradualmente da antiga aliança estratégica mantida com Teerã e com o Hezbollah.

Novo cenário geopolítico no Oriente Médio

Analistas internacionais observam que as declarações de Trump refletem uma tentativa de redesenhar o equilíbrio de forças na região. Ao sugerir que a Síria assuma um papel central contra o Hezbollah, Washington demonstra interesse em fortalecer o novo governo sírio e reduzir a influência iraniana no Oriente Médio.

No entanto, especialistas alertam que qualquer movimentação nesse sentido exigiria negociações delicadas entre Síria, Líbano, Israel, Estados Unidos e demais atores regionais. O histórico de conflitos entre esses países torna a proposta extremamente sensível, especialmente diante das memórias da longa presença militar síria em território libanês entre 1976 e 2005.

Enquanto isso, o futuro do Hezbollah continua sendo uma das principais incógnitas das negociações diplomáticas que acompanham os recentes acordos firmados entre Washington e Teerã, tema que segue no centro das discussões globais sobre segurança internacional.

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