
Tebet chama Flávio Bolsonaro de “golpista” durante convenção do PT e amplia confronto entre governo e oposição
Ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo critica filho de Jair Bolsonaro em ato que oficializou candidatura de Lula à reeleição; discurso reforça polarização entre os dois principais campos políticos da disputa de 2026
Durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada neste domingo (2), em São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado pelo estado, fez um duro ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva.
Em seu discurso diante da militância petista, Tebet associou Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que ambos representam uma corrente política que, segundo ela, teria colocado em risco instituições democráticas.
“Tal pai, tal filho. Golpista, sempre golpista”, declarou a candidata, em referência às acusações feitas contra Jair Bolsonaro relacionadas aos atos de 8 de janeiro e às investigações que envolvem o ex-presidente.
A fala de Tebet provocou reação no campo bolsonarista e reforçou o clima de enfrentamento que deve marcar a campanha eleitoral de 2026, marcada pela disputa direta entre o grupo político liderado por Lula e a direita representada pelo PL.
Críticas à direita e defesa da candidatura de Lula
Além das críticas a Flávio Bolsonaro, Simone Tebet afirmou que a eleição colocará em lados opostos dois projetos políticos distintos. Segundo ela, o campo da oposição representaria uma ameaça a direitos sociais e conquistas históricas.
“Não tem dois democratas disputando a eleição. O lado de lá é extrema direita. É aquele que quer tirar e eliminar direitos já conquistados”, afirmou.
A candidata também citou temas relacionados aos direitos das mulheres e afirmou que setores ligados ao bolsonarismo adotariam posições contrárias à ampliação de direitos.
Durante o discurso, Tebet buscou fortalecer a imagem da candidatura de Lula como uma alternativa de estabilidade institucional e afirmou que a presença dos apoiadores no evento não seria resultado de mobilização paga.
“Ninguém pagou para estar aqui hoje. As pessoas estão aqui porque amam o Lula”, disse.
PT oficializa Lula para buscar quarto mandato
A convenção do PT confirmou oficialmente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à reeleição presidencial. Aos 80 anos, o presidente tenta conquistar um quarto mandato no Palácio do Planalto, depois das vitórias eleitorais de 2002, 2006 e 2022.
A legenda também confirmou a manutenção da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente. A composição repete a aliança construída em 2022 entre antigos adversários políticos, com o objetivo de ampliar o apoio ao projeto petista.
A candidatura de Lula será apoiada por uma frente partidária formada por PT, PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede Sustentabilidade.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a convenção representa o início da caminhada para a disputa eleitoral e classificou a aliança como uma construção política ampla.
Flávio Bolsonaro reage e tenta consolidar oposição
Do outro lado, Flávio Bolsonaro vem buscando consolidar sua candidatura presidencial pelo Partido Liberal, apresentando-se como continuidade do projeto político iniciado pelo pai.
Antes da convenção petista, o senador participou de eventos políticos em São Paulo e criticou o governo federal, afirmando que o país não suportaria mais um mandato do PT.
Aliados de Flávio afirmam que a campanha deverá explorar críticas à economia, à segurança pública e à condução política do governo Lula.
O senador também tenta ocupar o espaço deixado por Jair Bolsonaro, que permanece como principal referência eleitoral da direita, mas enfrenta restrições judiciais que limitam sua atuação política.
A disputa de narrativas para 2026
O episódio envolvendo Simone Tebet mostra que a eleição presidencial de 2026 deverá ser marcada por forte polarização. Enquanto o PT aposta no discurso de defesa da democracia, políticas sociais e continuidade administrativa, a oposição tenta apresentar o governo Lula como responsável por problemas econômicos e administrativos.
As declarações de Tebet e a reação do grupo bolsonarista indicam que a campanha deverá ser marcada por ataques pessoais, disputa de narrativas e pela tentativa de cada lado de mobilizar sua base eleitoral.
A eleição colocará novamente frente a frente dois campos políticos que dominaram o debate nacional nos últimos anos: o lulismo, buscando manter o comando do país, e o bolsonarismo, tentando retornar ao poder por meio da candidatura de Flávio Bolsonaro.