
Trump leva Moraes para a Justiça dos EUA e cita “escândalo Master” em petição explosiva
Empresa de Trump e plataforma Rumble mencionam contrato milionário ligado à esposa do ministro e falam em “sensibilidade institucional” e sigilo fora do comum no Brasil
Em mais um capítulo que mistura política, Justiça e um cheiro forte de bastidor mal explicado, a Trump Media, empresa ligada ao presidente Donald Trump, decidiu colocar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no centro de uma narrativa pesada em uma ação que corre na Justiça da Flórida, nos Estados Unidos.
No pedido apresentado ao tribunal americano, a Trump Media e a plataforma Rumble associaram Moraes ao que chamam de escândalo do Banco Master, citando a repercussão, no Brasil, de um suposto contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci.
A estratégia, segundo o documento, seria justificar a necessidade de uma notificação alternativa, inclusive por e-mail, alegando que os caminhos tradicionais seriam lentos, travados ou “impraticáveis”.
O contrato citado: valores milionários e “trabalho pouco claro”
De acordo com o advogado da Trump Media, Martin De Luca, o Banco Master teria fechado, no início de 2024, um contrato para pagar cerca de US$ 23 milhões ao longo de três anos ao escritório da esposa de Moraes.
O texto ainda detalha o valor mensal, que seria de aproximadamente US$ 700 mil por mês — um número que, por si só, já causa espanto.
E aí vem a parte que joga gasolina no incêndio: o advogado afirma que o escritório “não parece ter realizado trabalhos substanciais” que justificassem o volume de pagamentos, segundo a argumentação levada à Justiça americana.
A narrativa da Trump Media: conflito de interesse e “proteção institucional”
No documento, o advogado diz haver indícios de que Moraes teria participado pessoalmente da defesa do Banco Master enquanto o contrato ainda estava ativo.
Isso, segundo ele, teria levantado no Brasil um debate público sobre conflito de interesses e uma suposta blindagem institucional.
E é aqui que entra o tom mais grave: De Luca afirma que a controvérsia teria gerado medidas de sigilo judicial incomum, incluindo:
- processos relacionados ao Banco Master sendo fechados no STF;
- investigações preliminares sendo encerradas rapidamente;
- e um ambiente de “opacidade” nos níveis mais altos.
A desculpa formal: “não estamos pedindo que o tribunal julgue isso”
Para não parecer que a ação virou um julgamento paralelo do Brasil em solo americano, o advogado faz uma ressalva: diz que os autores não estão pedindo que a Justiça dos EUA confirme se as acusações são verdadeiras.
Segundo ele, o assunto foi citado apenas como “contexto prático”, para mostrar que existe um cenário de:
- sensibilidade institucional elevada;
- segredo extraordinário;
- incentivos para atraso e evasão;
- dificuldade de notificar Moraes por vias convencionais.
Ou seja: oficialmente, eles dizem que não querem provar o escândalo ali — mas, na prática, jogaram o escândalo no papel, com nome, valor, personagem e tudo.
Repúdio: a imagem que fica é de blindagem e “pano passado”
O que revolta muita gente nesse tipo de episódio é o roteiro repetido: quando o assunto envolve figuras poderosas, tudo vira “sensível”, “sigiloso”, “delicado”, “complexo”… e a verdade parece sempre andar de muleta, atrasada e empurrada pra debaixo do tapete.
E o mais irritante é ver o país assistindo, mais uma vez, a sensação de que existe uma Justiça para uns — e um labirinto de sigilo para outros.
Se não há nada a esconder, por que tanta névoa?
Se está tudo certo, por que a impressão constante de que sempre tem alguém passando pano?
No fim, a situação vira um retrato amargo: um ministro do STF citado em ação nos EUA, ligado a uma história de contrato milionário, e o Brasil preso num eterno “não podemos comentar porque está sob sigilo”.