
Trump mira a Venezuela: “Vamos impedir as drogas por mar e por terra”
Em meio à tensão crescente no Caribe, presidente americano cogita atacar laboratórios de cocaína dentro da Venezuela e envia porta-aviões à região
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra a Venezuela. Ele estuda autorizar ataques diretos a instalações ligadas à produção e ao transporte de cocaína dentro do território venezuelano — um passo que, se concretizado, marcaria uma escalada sem precedentes nas tensões entre Washington e Caracas.
A movimentação vem acompanhada do envio de um porta-aviões e de destróieres americanos para o Caribe, com o objetivo declarado de combater o narcotráfico e “proteger a segurança nacional”. O governo americano também iniciou manobras conjuntas com Trinidad e Tobago, país que fica a poucos quilômetros do litoral venezuelano.
Durante o voo para a Ásia, a bordo do Air Force One, Trump foi questionado sobre possíveis ataques em solo venezuelano. Com o habitual tom de autoconfiança, respondeu:
“Estamos impedindo praticamente toda a entrada de drogas por mar e vamos impedir também por terra. Vocês verão isso começar.”
Autoridades americanas informaram que os planos estão sendo discutidos em diversas agências e incluem operações navais, ações em solo e até missões secretas conduzidas pela CIA. “Há planos na mesa que o presidente está considerando”, disse uma fonte à CNN.
Nos bastidores, assessores do governo veem na ofensiva antidrogas uma oportunidade de pressionar o regime de Nicolás Maduro e estimular divisões internas que poderiam levar a uma mudança de poder. Mesmo assim, Trump estaria “sem pressa” para decidir, embora tenha deixado claro que não pretende pedir autorização formal ao Congresso:
“Não vou necessariamente pedir uma declaração de guerra. Acho que vamos simplesmente matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país.”
O problema é que a própria ONU e a DEA não reconhecem a Venezuela como um grande produtor de cocaína — a droga é cultivada majoritariamente na Colômbia, no Peru e na Bolívia.
Enquanto isso, a força naval americana se concentra na região, com o porta-aviões Gerald R. Ford e três contratorpedeiros — o USS Mahan, o USS Bainbridge e o USS Winston Churchill —, além de caças F-18 e helicópteros MH-60. Um verdadeiro arsenal flutuante nas águas do Caribe.
Do outro lado, em Caracas, Maduro tenta posar de pacifista, misturando inglês e espanhol para pedir “paz eterna” e dizer “no crazy war, please”. Um apelo que soa quase como ironia diante do cerco militar que se fecha em torno de seu país.