🎭 Palco seletivo: quando a indignação só vale contra Bolsonaro

🎭 Palco seletivo: quando a indignação só vale contra Bolsonaro

Carol Castro e José de Abreu fazem brinde à prisão domiciliar do ex-presidente, mas silenciam diante do caos na vida real, como o drama dos aposentados do INSS.

A cena Ă© digna de novela: taça na mĂŁo, camisa do Brasil no corpo e um sorriso que caberia perfeitamente num capĂ­tulo final. Carol Castro, atriz conhecida pelo talento e pelo timing para entrar nas trends polĂ­ticas, resolveu comemorar com espumante a prisĂŁo domiciliar de Jair Bolsonaro. “Grande dia!”, proclamou, como se a democracia tivesse acabado de ganhar um Oscar.

Nas redes, o roteiro foi bem produzido: falas de efeito (“É sĂł uma gripezinha”, “nĂŁo sou coveiro”), trilha sonora de Alcione e muito deboche. JosĂ© de Abreu, sempre pronto para uma boa encenação polĂ­tica, tambĂ©m entrou em cena, agradecendo a “XandĂŁo” e celebrando o que chamou de “prisĂŁo em prestaçÔes”. Tudo muito performĂĄtico.

Mas aĂ­ fica a pergunta que o pĂșblico em casa sussurra: cadĂȘ o mesmo entusiasmo para defender o aposentado que espera meses por um benefĂ­cio no INSS? Ou para criticar os abusos e descasos que nĂŁo tĂȘm partido, mas tĂȘm vĂ­timas reais? SilĂȘncio no set.

Enquanto isso, na vida real — aquela que não rende curtidas fáceis — brasileiros enfrentam filas, fome e abandono. Mas parece que a militñncia de taça na mão prefere o palco seguro do “fora Bolsonaro” a colocar o dedo nas feridas que sangram todos os dias, com ou sem ex-presidente na berlinda.

No fim, a lição Ă© clara: indignação seletiva Ă© como novela ruim — a gente assiste, dĂĄ risada, mas sabe que nĂŁo muda nada fora da tela.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias