
Trump provoca o mundo ao “ampliar” os EUA em imagem nas redes
Postagem sugere anexação da Groenlândia, do Canadá e da Venezuela e acirra tensão com aliados europeus
Donald Trump voltou a causar barulho internacional nesta terça-feira (20) ao publicar, na rede social X, uma imagem em que Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem como parte do território dos Estados Unidos. A postagem, sem qualquer explicação, surgiu em meio a uma escalada de ameaças tarifárias e críticas duras de países europeus aos planos do governo americano para a ilha ligada à Dinamarca.
A imagem — aparentemente criada por inteligência artificial — mostra Trump sentado no Salão Oval, cercado por assessores e líderes europeus. Ao fundo, um mapa chama atenção: os Estados Unidos surgem “esticados”, incorporando os três territórios. O silêncio do presidente no texto da publicação só aumentou as interpretações e o desconforto diplomático.
Nos últimos dias, Trump tem elevado o tom ao defender abertamente a incorporação da Groenlândia, que considera estratégica para a segurança nacional dos EUA. No fim de semana, anunciou que pretende impor tarifas de até 25% sobre produtos de países europeus caso não haja um acordo que permita aos americanos “comprar” a ilha — uma proposta vista como absurda por governos do continente.
A lista de países ameaçados inclui Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Noruega, Países Baixos e Finlândia. A reação foi imediata: líderes europeus classificaram a ideia como inaceitável e passaram a discutir medidas de retaliação. Autoridades alemãs chegaram a afirmar que Trump cruzou uma “linha vermelha” ao pressionar aliados da OTAN, enquanto a União Europeia avalia usar seu instrumento anticorreção comercial.
O Reino Unido e a França também criticaram publicamente a postura americana. Ainda assim, Trump mantém o discurso de que a Groenlândia é “vital” para os interesses dos Estados Unidos e não descarta ações mais duras se não for atendido.
Canadá e Venezuela aparecem nesse tabuleiro por razões distintas. Desde que voltou à Casa Branca, Trump costuma se referir ao Canadá como um “51º estado”, retórica que gerou revolta interna e influenciou diretamente o cenário político do país. Já na América Latina, o presidente usa a Venezuela como símbolo de força, resgatando a lógica da Doutrina Monroe e reafirmando sua influência sobre o que chama de “quintal” americano — ao mesmo tempo em que mantém o interesse no petróleo venezuelano.
A imagem pode ser apenas provocação, mas reforça um padrão: Trump segue usando gestos simbólicos e declarações explosivas para testar limites, pressionar aliados e deixar claro que sua política externa continua guiada mais pela força e pela intimidação do que pela diplomacia tradicional.