
Trump diz que salvou a Otan do esquecimento e eleva tom contra a Europa
Presidente afirma que a aliança estaria “no lixo da História” sem sua atuação e convoca coletiva na Casa Branca
Donald Trump voltou a provocar aliados europeus nesta terça-feira (20) ao afirmar que foi o responsável por impedir o colapso da Otan. Em declarações públicas e postagens nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos disse que, sem sua atuação, a aliança militar transatlântica já teria sido jogada “na lata do lixo da História”.
Segundo Trump, nenhum outro líder fez tanto pela Otan quanto ele próprio. A fala ocorreu no mesmo dia em que autoridades europeias, reunidas no Fórum Econômico Mundial em Davos, reagiram com firmeza às ameaças do republicano de anexar a Groenlândia. Diante da repercussão, o presidente anunciou uma coletiva de imprensa na Casa Branca para o início da noite, antes de viajar à Suíça.
Em publicação na Truth Social, Trump reforçou o discurso de autossuficiência e poder militar. Afirmou que os Estados Unidos são, de longe, o país mais poderoso do mundo e que isso se deve à reconstrução das Forças Armadas durante seu primeiro mandato — processo que, segundo ele, segue em ritmo acelerado. Para o presidente, apenas os EUA teriam capacidade real de garantir a paz global, ainda que “pela força”.
As declarações intensificam uma sequência de ataques verbais à ala europeia da Otan. Líderes do continente têm criticado abertamente os planos expansionistas de Trump, especialmente em relação à Groenlândia, território ligado à Dinamarca. Em Davos, vários discursos destacaram a defesa da soberania nacional e da integridade territorial, além de condenar ameaças econômicas e tarifárias vindas de Washington.
Durante a madrugada, Trump também publicou conteúdos provocativos: divulgou mensagens privadas trocadas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, além de imagens geradas por inteligência artificial que simulavam a anexação da Groenlândia. Em uma delas, cravou que “não há como voltar atrás”.
A resposta europeia foi imediata. O presidente da França acusou os Estados Unidos de tentarem submeter a Europa por meio de tarifas que classificou como inaceitáveis. Outros líderes reforçaram que a Groenlândia não é tema negociável e rejeitaram qualquer tentativa de imposição política ou econômica.
O episódio expõe, mais uma vez, o clima de tensão entre Washington e seus aliados tradicionais, com Trump apostando em um discurso de força, protagonismo e confronto direto — mesmo ao custo de estremecer relações históricas dentro da própria Otan.